Seguro agrícola, importação de frutas da China e o apoio do Governo Federal no combate ao Cancro Europeu foram algumas das temáticas debatidas por produtores de maçã e membros do Senado Federal, em audiência pública realizada em São Joaquim, na Serra Catarinense, na última sexta-feira (09).

Na ocasião, representantes do setor macieiro manifestaram a preocupação com a saúde dos pomares da região Sul, que enfrentam sérios problemas com o Cancro e a falta de técnicos habilitados para o auxílio no combate à doença traz ainda mais prejuízos para os produtores.

Segundo levantamento da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) as despesas para lidar com a doença representam 15% dos custos de produção da maçã. Caso não seja devidamente combatido, o cancro pode comprometer 10% de um pomar no período de um ano.

De acordo com a ABPM (Associação Brasileira dos Produtores de Maçã), o Brasil tem 4,3 mil produtores de maçã responsáveis por 195 mil empregos diretos e indiretos, e por uma cadeia produtiva que movimenta R$ 6 bilhões.

Outra manifestação dos produtores foi com relação à importação de maçãs da China. Uma das reclamações é que os produtores brasileiros têm mais restrições, uma vez que os agrotóxicos utilizados nas frutas chinesas não têm qualquer proibição por parte dos órgãos de fiscalização fitossanitária do país, além do risco para a sanidade dos pomares brasileiros.

Durante as explanações foi apresentado um estudo em que foram descobertas mais de 80 espécies de fungos e bactérias estranhos à produção brasileira que podem ser transmitidos tanto por maçãs estrangeiras, quanto por pêras, de modo que a restrição à importação deve se estender também à outra fruta.

Sobre o seguro agrícola, os produtores questionaram a redução do limite máximo de subvenção através do Banco do Brasil – de 60% para 45% do valor do seguro – e reivindicaram a abertura de linhas de financiamento para ajudar na aquisição de estruturas de coberturas para os pomares, para proteção contra intempéries.

Conforme a Associação dos Produtores de Maçã e Pera de Santa Catarina (Amap), a manutenção anual de cada hectare de um pomar de maçã custa entre R$ 45 mil e R$ 50 mil, quantia que, segundo a entidade, os produtores não conseguem bancar por conta própria, daí a necessidade do aporte financeiro através do seguro.

Presente no evento, o representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Diego Almeida, explicou que o percentual de subvenção foi reduzido para que o ministério pudesse continuar atendendo o maior número possível de produtores mesmo diante dos ajustes fiscais do governo federal em 2015. Disse ainda que os recursos remanescentes podem ser resultado de propostas não consolidadas, e pediu aos produtores que fiquem atentos ao andamento de suas solicitações e cobrem das operadoras de seguro.