Aprovada em Chamada Pública do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC), Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), uma proposta elaborada por professores dos Câmpus de Pato Branco e Dois Vizinhos, Sudoeste do Paraná, da Universidade Federal Tecnológica (UTFPR) criará o Núcleo de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica do Sudoeste.

O objetivo do núcleo é aprimorar o sistema de produção orgânica de hortaliças e espécies frutíferas e difundir cultivos de espécies hortícolas potenciais, inclusive das espécies nativas da região, visando aumentar a produção e qualidade de frutas e hortaliças por horticultores na região. O projeto irá incentivar, também, a criação de grupos de consumo e promover canais de comercialização entre agricultores e consumidores, tendo em vista a crescente demanda de alimentos orgânicos produzidos regionalmente.

As principais metodologias utilizadas serão a criação e/ou manutenção de pomares e hortos demonstrativos do cultivo orgânico de espécies frutíferas nativas do Sul do Brasil, espécies frutíferas exóticas de clima temperado, hortaliças cultivadas e hortaliças não-convencionais em conjunto com a realização de minicursos, oficinas, seminários e dias de campo.

O Núcleo atenderá agricultores familiares, grupos de mulheres e jovens assistidos pelas entidades como o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) e Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (ASSESOAR), acadêmicos do curso de Agronomia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), grupos comunitários e movimentos sociais serão beneficiados. As atividades serão planejadas e divulgadas de acordo com demandas dessas entidades, as quais muitas vêm sendo desenvolvidas em projetos isolados de pesquisa, extensão e inovação por professores/pesquisadores que trabalham com espécies hortícolas na UTFPR, dos Câmpus Pato Branco e Dois Vizinhos.

Além disso, serão realizadas avaliações socioeconômicas dos sistemas produtivos agroecológicos dos agricultores, incentivo a melhoria tecnológica do processamento agroindustrial das frutas e hortaliças e estudos de mercados para a comercialização da produção, tanto in natura como agroindustrializada pelas duas organizações sociais.

Neste sentido, o projeto é composto pelos seguintes subprojetos por espécie a ser trabalhada: videira (Vitis sp.), oliveira (Olea europeae), amoreira-preta (Rubus sp.), figueira (Ficus carica), nogueira-pecã (Carya illinoinensis), espécies frutíferas nativas, morangueiro (Fragraria x ananassa), tomateiro (Solanum lycopersicum) e hortaliças não-convencionais.

A duração do projeto será de 24 meses, visando conseguir tempo hábil a realização de todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão propostas. No entanto, a ideia guia da equipe é tornar as atividades permanentes mesmo com o término do apoio financeiro ao projeto de forma a perenizar as ações do NEA já implantado, seguindo com a parceria estabelecida entre a UTFPR, CAPA e ASSESOAR, no sentido que o NEA possa tornar-se um centro de referência em agroecologia e produção orgânica na Região Sudoeste do Paraná.

O projeto também foi concebido levando-se em conta que o Sudoeste do Paraná possui a economia fortemente ligada à agricultura empresarial com extensas áreas de produção de commodities, como soja, milho e trigo, o que implica, devido ao sistema de produção destas culturas, dificuldades de conciliar a produção de alimentos e preservação de biodiversidade. Embora se reconheça as contribuições para a economia, essas atividades, por outro lado, aumentam as dificuldades socioeconômicas e ambientais enfrentadas pela agricultura familiar, que corresponde a 40% da produção agrícola, 80% da ocupação no setor rural e gera 70% dos empregos no campo. Neste sentido, os Câmpus Pato Branco e Dois Vizinhos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná visam, com a implantação deste Núcleo, “possibilitar trocas de experiências entre agricultores familiares e a academia que permitam adaptar técnicas para reduzir custos, diminuir a exposição a agentes insalubres; melhorar a comunicação rural e assegurar formas de manejo do sistema ecologicamente mais sustentáveis além de ampliar a base alimentar, por meio de resgate, reconhecimento e catalogação de plantas com potencial nutracêutico não explorado;”, consideram os responsáveis pelo projeto.

Compartilhando desta perspectiva, os pesquisadores envolvidos consideram que “a ideia central deste projeto é, justamente, fortalecer a capacidade dos agricultores, na região do sudoeste do Paraná, de tomar decisões levando em consideração a sustentabilidade integral de seus agroecossistemas. Por meio da gestão dos agroecossistemas, busca-se integrar atividades de planejamento, monitoramento, avaliação e tomada de decisões”.