Um trabalho de pesquisa do Instituto Federal do Paraná (IFPR), em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), estuda a viabilidade e o melhoramento genético para a produção de lúpulo, um dos principais ingredientes da cerveja, na região centro-sul paranaense.

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Frank Lagos (Foto:Arquivo/RBJ)

O trabalho é conduzido pelo engenheiro agrônomo, professor do IFPR, mestre e doutorando na área, Frank Silvano Lagos. Ao Jornalismo da Rádio Club/RBJ, ele destacou alguns dos principais pontos e os primeiros resultados da pesquisa, que integra o seu projeto de doutorado.

Conforme ele, a pesquisa é inovadora, uma vez que o Brasil é o terceiro maior produtor e consumidor de cerveja do mundo, porém, 99% do lúpulo utilizado pelas fábricas do país vem de países do Hemisfério Norte, como Estados Unidos, Alemanha e República Tcheca, que se localizam em elevadas latitudes.

Porém, alguns produtores iniciaram experiências no Brasil, percebendo a possibilidade de também se obter o produto aqui. “Essas circunstâncias me instigaram, como pesquisador, a estudar quais cultivares mais adequadas para a região centro-sul do Paraná e o comportamento da cultura na aplicação de nutrientes”, explicou.

Salienta que os primeiros resultados obtidos pelos produtores, mesmo que sem acompanhamento técnico e cultivares adequadas, mostram que existe viabilidade técnica para a produção de lúpulo no Brasil, destacando que, na questão econômica, deverá ocorrer uma organização de Arranjos Produtivos Locais (APL’s) para a vinculação da produção com as indústrias cervejeiras.

O pesquisador destaca que as pesquisas estão centralizadas na Fundação Agrária, em Guarapuava, mas alguns experimentos também deverão ser desenvolvidos na área do Instituto Federal do Paraná, em Palmas. Questionado sobre a possibilidade do município palmense integrar o centro produtor de lúpulo no Brasil, o professor demonstra otimismo, citando o exemplo da soja. “Há algum tempo, imaginava-se ser impossível produzir soja no Mato Grosso, mas o melhoramento genético permitiu a produção em latitudes menores. A chave disso tudo é pesquisa, vinculação com assistência técnica e organização do mercado produtivo”, considerou. Ouça no player abaixo: