Obras esperadas pela região, como a Ferrovia do Milho (Norte-Sul), ligando o Centro-Oeste do país ao Oeste de Santa Catarina, passando por municípios como Cruzeiro do Iguaçu, Dois Vizinhos, São Jorge D’Oeste, São João, Verê, Itapejara D’Oeste, Bom Sucesso do Sul, Renascença, Vitorino e Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, não deverão se tornar realidade tão cedo.

Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
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Durante visita ao município de Chapecó, nesta quinta-feira (15), o ministro da Agricultura Blairo Maggi descartou os investimentos na construção da Ferrovia do Milho, e também o apoio federal para o Corredor Ferroviário Catarinense (Ferrovia do Frango), ligando o Extremo-Oeste, na região de Dionísio Cerqueira, aos portos de Santa Catarina.

De acordo com o ministro, o governo tem vários projetos em andamento, mas nenhum específico para essa região. A Norte-Sul é uma das principais demandas da agroindústria catarinense, uma vez que o Estado produz apenas metade do milho consumido e precisa importar o grão de outras regiões, o que encarece a produção de aves e suínos.

Traçado prévio da Ferrovia do Frango
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Traçado prévio da Ferrovia do Frango

O governo catarinense lançou um programa de incentivo à produção de milho que, agregado ao acréscimo de 15% na próxima safra nacional, deve reduzir o preço do grão. Outra demanda apresentada pelo Executivo Estadual foi o apoio do ministro junto ao Ministério de Relações Exteriores, para a construção de uma ponte no Rio Paraná, em Missiones, o que diminuiria a distância para trazer milho do Paraguai.

Além de descartar os investimentos nos transportes ferroviários na região, Maggi também anunciou medidas junto à Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) que podem afetar o Oeste catarinense e o Sudoeste do Paraná.

Desde 2012, a Companhia estuda projeto para o investimento de R$ 19 milhões na construção de um armazém com capacidade para o armazenamento de 100 mil toneladas de grãos em Xanxerê. No final de 2013, inclusive, a prefeitura do município realizou a doação de um terreno de três hectares, localizado às margens da BR-282 para a instalação da estrutura.

No último mês de julho, em audiência com deputados federais catarinenses, o superintendente de armazenagem da Conab, Rafael Bueno, garantiu os recursos para a obra, afirmando que deveria ser aguardada apenas a conclusão do projeto de execução para que fosse lançado o edital para construção do armazém em Xanxerê.

Entretanto, na última semana o ministro da Agricultura anunciou que a Conab vai deixar a armazenagem de grandes culturas agrícolas, como soja e milho. Segundo ele, a ineficiência torna inviável a permanência da companhia na prestação desse tipo de serviço. Afirma ainda, que delegando o serviço para a iniciativa privada, o controle sobre os volumes e a qualidade da mercadoria fica mais eficiente, além de o ônus relacionado a alguma irregularidade não ser mais do governo, passando para a responsabilidade do proprietário do local.

Conforme reportagem da revista Globo Rural, o processo para a Conab se livrar dos seus armazéns já está em andamento e contratos que previam a construção de instalações, como é o caso de Xanxerê, foram suspensos. Para a capacidade já instalada, são consideradas opções como a venda, com valor revertido para os cofres da União, ou transferência para prefeituras.

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