Mapear o setor florestal da região de Palmas, Sul do Paraná, e planejar ações do setor madeireiro à longo prazo, foram alguns dos pontos debatidos no Workshop “Propostas e Perspectivas para o setor florestal”, conduzido pelo Instituto de Florestas do Paraná (IFPR) e pelo departamento municipal de agricultura, na noite de quarta-feira (19), na Câmara de Vereadores. Empresários, técnicos, produtores e proprietários de áreas rurais participaram das discussões em torno de um setor que movimentou mais de R$ 45 milhões no último ano em Palmas, de acordo com dados do VBP (Valor Bruto de Produção) levantado pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seab).

O engenheiro florestal do IFPR, Anderson Pezzatto, fez uma explanação sobre os trabalhos do órgão, as ações em torno das florestas plantadas no Estado e sobre um mapeamento de plantios florestais que está sendo iniciado. Informou que o instituto está buscando reunir todas as informações relativas ao setor florestal, com o intuito de oferecer subsídios, tanto para o Estado, na formulação de políticas públicas, como para o setor privado que busca investir na silvicultura.

Sobre o mapeamento de florestas, ele destaca que o trabalho consistirá no levantamento de todas as áreas plantadas no Estado, resultando em um inventário florestal, que também baseará ações do setor ambiental. “Evidentemente, não podemos pensar em políticas públicas que não tenham esse viés de preservação e sustentabilidade ambiental”, aponta.

O coordenador técnico do Instituto de Florestas, Anizio Menarin Filho, ressaltou que o objetivo do workshop foi levantar as demandas da região de Palmas, para adequar os trabalhos do órgão às necessidades do setor produtivo. Reconhece que falta planejamento ao ramo madeireiro, gerando gargalos nas economias regionais. “Por incrível que pareça, em algumas regiões do Paraná está sobrando madeira, enquanto que em outras, está faltando. É justamente nesse ponto que o IFPR entra, para ajudar nesse planejamento, para não cometermos erros que ocorreram no passado”, explica.

A partir das discussões, foi proposta a realização de um mapeamento geral da microrregião de Palmas, envolvendo também os municípios de Coronel Domingos Soares, Clevelândia, Honório Serpa e Mangueirinha, com o levantamento das florestas, das áreas potenciais para o plantio e também dados da ocupação do solo na região. A proposta será formatada pelo Instituto de Florestas e encaminhada às prefeituras dos municípios.

O empresário e membro da diretoria da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), Roni Marini, aponta a importância desse planejamento, dado o consumo expressivo das indústrias madeireiras de Palmas, que buscam matéria-prima em localidades há mais de 150 quilômetros, pois a produção da região não atende às necessidades do setor produtivo.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (ABIMCI), as fábricas de compensados locais processam a cada mês 47.500 m³ de árvores, o equivalente a 114 mil toneladas de toras, alcançando um volume anual de 1,3 milhões de toneladas. “A produção microrregional não alcança nem 10% do consumo industrial”, aponta Marini, que destaca a evolução genética das árvores, que têm possibilidade de produzir um volume muito maior em menor tempo. “Com isso, o produtor tem um bom retorno, dada a estabilidade dos preços da madeira e quanto mais a plantação estiver perto da indústria, o lucro para ele é muito maior”, considera.

Durante as explanações, o diretor técnico da Ecomaster Consultoria Ambiental, Alder Paim, abordou sobre a integração de culturas à atividade florestal, como forma de incentivo aos proprietários de áreas rurais a investirem nas florestas plantadas. Conforme ele, através do sistema silvipastoril, o produtor pode agregar a pecuária à floresta, que servirá como sombreamento para o gado, preservação do solo, diversificação da produção, além da renda posterior com a venda da madeira. Além disso, falou sobre a disponibilidade que os produtores encontram em linhas de crédito específicas, como a linha ABC (Agricultura de Baixo Carbono), que oferecem empréstimos à juros baixos e com tempo de carência de até 12 anos.

Representando o Núcleo Regional da Seab, o engenheiro agrônomo Josemar Bannach Fonseca, afirma que a região ainda conta com uma área expressiva para investimentos no setor, avaliando que as áreas de florestas plantadas entre Palmas e Coronel Domingos Soares, que alcançam cerca de 38 mil hectares, possam triplicar, a partir do mapeamento e planejamento proposto pelo IFPR.

O diretor do departamento municipal de agricultura, Edson Cassaniga, reforçou o compromisso da administração em apoiar o setor, que representa uma parcela significativa da economia palmense, desde a lavoura até o mercado externo, pensando em um projeto à longo prazo, envolvendo investidores, empresários e poder público, de modo a convencer os produtores rurais à investirem e diversificar suas produções.