No próximo dia 04, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina sediará uma audiência pública, proposta pela Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), que debaterá a crise na suinocultura do Estado. Na oportunidade, produtores, lideranças políticas, representantes de entidades e empresas apresentarão as medidas necessárias para o socorro da atividade. A pauta será encaminhada ao Governo Federal.

No inicio do mês de março, o governador catarinense, Raimundo Colombo, autorizou a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na comercialização de suínos vivos para outros Estados pelo prazo de dois meses. O tributo, que era de 12%, diminuiu para 6%, valor semelhante ao praticado pelo Rio Grande do Sul. Os produtores reconhecem a iniciativa do Governo, mas avaliam que o Governo Federal também precisa intervir para que a cultura não seja extinta no Estado. Por isso, os deputados que representam o agronegócio na Assembleia, articulam para que deputados federais e os senadores catarinenses também participem da audiência, como meio de encaminhamento das demandas à esfera federal.

Produtores dos três Estados do Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – são categóricos ao afirmar que se medidas emergenciais não forem adotadas, em pouco mais de um mês a maioria dos suinocultores entrarão em processo de falência. Uma das causas para a crise no setor é a inflação no preço do milho, principal produto da dieta dos animais. No final de 2015, por exemplo, a saca do grão era vendida a R$ 36,90 – preço que já preocupava os criadores – mas hoje, o preço do cereal ultrapassa os R$ 52,00. Somados outros custos, os produtores gastam em torno de R$ 4,00 para produzir um quilo de carne suína, enquanto que para a venda o produto está cotado a R$ 3,20 – prejuízo de R$ 0,80 por quilo.

O Governo de Santa Catarina trabalha sobre um projeto para o transporte de milho do Centro-Oeste brasileiro até Lages, na região serrana do Estado, por meio de linha férrea, através do Tronco Principal Sul. Na próxima semana, Governo e a Rumo, empresa administradora do trecho ferroviário, deverão se reunir para a discussão da parceria. Informações extraoficiais apontam que cerca de 100 containers de milho por dia chegarão a Lages e serão distribuídos para região Serrana, Oeste e Meio Oeste do Estado.

Além disso, deverá entrar em tramitação na Assembleia catarinense um Projeto de Lei para estímulo ao plantio de milho no Estado. A meta é aumentar em 1 milhão de toneladas a produção do grão já em 2017. No entanto, os produtores insistem que o Governo Federal também deve atuar em defesa do setor.