O risco da inviabilização da suinocultura na região Sul do Brasil, com alta no preço do milho e a baixa remuneração pelo quilo do suíno, foi tema de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, na manhã de segunda-feira (04).

Lideranças políticas estaduais, federais, representantes de entidades de classe e produtores rurais, estiveram discutindo alternativas para o combate à crise que novamente afeta o setor, que produz anualmente 800 milhões de toneladas, colocando Santa Catarina como o maior produtor de carne suína do país.

Segundo dados da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o quilo do suíno vivo é comercializado por aproximadamente R$ 3,20, enquanto o custo de produção está acima dos R$ 4,00. O principal problema apontado pelos produtores é o alto valor do milho, principal insumo da alimentação dos animais. O Estado catarinense apresenta uma deficiência de mais de 3,5 milhões de toneladas de milho, uma vez que produz em torno de 2,5 milhões de toneladas, mas consome cerca de 6 milhões de toneladas do grão. Dessa forma, os produtores são obrigados a buscar o produto na região central do país. No Mato Grosso, por exemplo, paga-se R$ 23,00 a saca, mas ao chegar em Santa Catarina o custo ultrapassa os R$ 54,00, em decorrência do frete.

Há uma perspectiva de melhora dentro de 60 dias, quando entrará no mercado a produção da segunda safra. Na audiência foram elaboradas duas pautas de reivindicações – uma que será encaminhada ao Governo do Estado e outra ao Governo Federal.

Ao Estado pede-se a liberação de crédito de ICMS para o produtor rural; Agilidade nas negociações para a entrada de milho no estado por meio da ferrovia que existe até Lages; Criação de políticas de valorização para que o produtor de milho do estado comercialize o mesmo internamente sem exportar, evitando assim um maior déficit do produto.

De acordo com a Secretaria da Agricultura de Santa Catarina, a questão do transporte de milho através do ramal ferroviário Tronco Principal Sul, saindo do Mato Grosso e chegando até Lages, estará em discussão no próximo dia 18, quando Governo e a Rumo, empresa concessionária do trecho, estarão reunidos.

Na pauta encaminhada ao Governo Federal os produtores pedem linhas de crédito a juros baixos (6,5% ao ano) para aquisição de insumos para a manutenção da produção; Liberação de recursos para financiar as matrizes e as mesmas serem a garantia do financiamento; Volta da EGF/AGF (estoques do governo federal/aquisição do governo federal); Isenção de Pis/Cofins para importação de grãos como milho, sorgo e triguilho; Linha de crédito do BNDES para armazenagem de grãos com muros abaixo de 3% ao ano, com três anos de carência e pagamento em 15 anos;  Criação de uma política pública da Conab para situações de emergências, disponibilizando maior quantidade de milho balcão por produtor, que hoje são de seis toneladas para 27 toneladas.