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08 de dezembro de 2025
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APP Sindicato denuncia novas consultas sobre modelos escolares e alerta para risco de imposição em Beltrão e região

Representantes criticam falta de democracia no processo, apontam interesses privados

RBJ TV e Especial Publicitário

por Deise Bach

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Foto: João Antonio Franz
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O programa Edição Extra, da Rádio Onda Sul, recebeu nesta quinta-feira (13) a presidente da APP Sindicato Núcleo de Francisco Beltrão, Cátia Basso, e o representante da Secretaria de Sindicalizados, Denner Wenderson Weber, para discutir as novas consultas públicas sobre os modelos de escolas cívico-militares e do Programa Parceiros da Escola. Segundo o sindicato, o governo do Paraná está retomando as votações apenas em instituições que já haviam rejeitado esses modelos no ano passado, o que os representantes consideram um processo sem transparência e sem respeito à decisão anterior das comunidades escolares.

Os sindicalistas afirmam que a maioria das escolas que está voltando à consulta — 84 das 97 incluídas — rejeitou o Parceiros da Escola em dezembro, muitas com índices superiores a 65% de votos contrários. Mesmo assim, o governo retomou o processo, incluindo uma regra que permite impor o modelo se o quórum não passar de 50% mais um, sem nem mesmo divulgar o resultado da votação. Para a APP, a estratégia aposta justamente na abstenção para viabilizar a entrega da gestão escolar a empresas privadas.

Na região, escolas como João Paulo I, Leo Flach e Industrial (Francisco Beltrão), Cristo Redentor (Nova Prata do Iguaçu) e o Colégio Estadual Dois Vizinhos já haviam rejeitado o projeto. O sindicato cita casos considerados irregulares, como a presença de representantes da empresa gestora dentro do Colégio Industrial antes da votação. Para Denner Weber, a experiência recente da própria escola mostra que a melhoria da estrutura depende de investimento público, não de privatização: “Fizeram tudo sem empresa nenhuma”.

A APP Sindicato também critica a falta de controle sobre os recursos repassados às empresas que já administram escolas em outras regiões do estado: mais de R$ 56 milhões, segundo a entidade, sem fiscalização do Tribunal de Contas. Do ponto de vista pedagógico, apontam denúncias de substituições inadequadas de professores por estagiários e um foco excessivo em metas de indicadores, o que tem levado profissionais efetivos a solicitar remoção dessas escolas.

Sobre o modelo cívico-militar, Cátia Basso destacou denúncias graves, incluindo casos de assédio envolvendo militares, com registro na delegacia de Francisco Beltrão e a prisão de um militar em Curitiba. Para a presidente, a escola pública deve ser espaço de inclusão e diálogo, e não de imposição de regras por profissionais sem formação pedagógica.

A APP afirma estar mobilizada para orientar pais e responsáveis, reforçando que a decisão das próximas consultas — marcadas para escolas em Francisco Beltrão, Dois Vizinhos, Nova Prata do Iguaçu e Marmeleiro — terá efeitos permanentes. Eles lembram que os estudantes não votam e que a falta de participação pode permitir que terceiros decidam o futuro das escolas.

A entrevista completa com a APP Sindicato está disponível no vídeo abaixo.

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