Novo conceito na produção industrial demanda novas profissões

por Guilherme Zimermann em 14 de julho de 2018 14:34
por Guilherme Zimermann em 14 de julho de 2018 14:34

Um estudo divulgado no inicio deste mês pelo Senai (Serviço Nacional da Indústria) mostra que 30 novas profissões vão surgir ou ganhar mais relevância com a chamada Indústria 4.0, conceito relacionado às chamadas fábricas inteligentes, determinada pelas tecnologias digitais, como internet das coisas, big data e inteligência artificial.

As novas ocupações são identificadas pelas áreas que deverão sofrer maior impacto com o avanço da chamada 4ª revolução industrial: setor automotivo; alimentos e bebidas; construção civil; têxtil e vestuário; tecnologias da informação e comunicação; máquinas e ferramentas; química e petroquímica; e petróleo e gás.

Entre essas profissões estão as de mecânico de veículos híbridos e mecânico de telemetria (automotivo); técnico em impressão de alimentos (alimentos e bebidas); técnico em automação predial (construção civil); engenheiro em fibras têxteis (têxtil e vestuário); engenheiro de cibersegurança especialista em big data (tecnologia da informação); projetista para tecnologias 3D (máquinas e ferramentas); técnico especialista no desenvolvimento de produtos poliméricos (química e petroquímica); e especialista para recuperação avançada de petróleo (petróleo e gás).

Imagem: Senai/Reprodução

O termo Indústria 4.0 originou-se em 2011, a partir de um projeto de estratégias do governo alemão voltadas à tecnologia. Para o desenvolvimento e implantação desse conceito, deve-se seguir alguns princípios: Capacidade de operação em tempo real; Virtualização; Descentralização; Orientação a serviços e Modularidade.

Imagem: LiteLiMS

Explica o engenheiro elétrico Cristiano Bertulucci Silveira, em seu artigo “O Que é Indústria 4.0 e Como Ela Vai Impactar o Mundo”, que para se chegar à essa realidade, o setor industrial deve acompanhar os avanços tecnológicos da última década, aliados às tecnologias em desenvolvimento, como a Internet das Coisas (ou Internet of Things – IoT), que é a conexão em rede de objetos físicos, ambientes, veículos e máquinas por meio de dispositivos eletrônicos que permitem a coleta e troca de dados. Esses sistemas são denominados como sistemas Cyber-físicos, sendo a base da Indústria 4.0.

O principal ponto de preocupação quanto à essa nova realidade nas indústrias é o fato de os profissionais também precisarem se adaptar, pois com fábricas ainda mais automatizadas, novas demandas surgirão, enquanto algumas poderão deixar de existir.

Uma constatação que já se vê há tempos é a substituição dos trabalhos manuais e repetitivos por mão de obra automatizada e com o advento da Indústria 4.0 isso só tende a aumentar. Diante disso, a preocupação recorrente, principalmente por parte dos trabalhadores, é a possibilidade da perda do emprego para as máquinas.

Em entrevista ao RBJ em outubro de 2017, o diretor da Alcast do Brasil, empresa com parques fabris em Francisco Beltrão, no Sudoeste, e Palmas, no Sul do Paraná, Abelson Carles, avaliava que a automação das empresas não gerará desempregos, uma vez que as tecnologias empregadas necessitarão de técnicos para operá-las.

O empresário ressaltou a importância dos investimentos nas inovações. “Qualquer empresa que pense à médio e longo prazo, que não ter a inovação no seu DNA, não sobreviverá”, afirma.

Contudo, salienta a necessidade de investimentos em qualificação da mão-de obra, desde o nível técnico até o superior. “A qualidade do emprego será fundamental, aí, mais uma vez, a educação se volta na primeira necessidade do país. Esse medo do desemprego, nós combatemos com capacidade e educação”, disse.

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Conceito e análise: Indústria 4.0 exigirá profissionais qualificados para operá-la

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