Nora de prefeito é afastada de secretaria municipal por nepotismo

por Guilherme Zimermann em 9 de Maio de 2018 10:13
por Guilherme Zimermann em 9 de Maio de 2018 10:13
Esta matéria utiliza fontes de: Ministério Público de Santa Catarina

Decisão liminar afastou Edna de Fátima Lemos Vieira Bissani do cargo a secretária de Administração e Fazenda do Município de Água Doce, Meio-Oeste de Santa Catarina. A ação civil pública, proposta pelo Ministério Público (MPSC), sustenta que a nomeação atenta contra a legislação municipal e configura ato de improbidade administrativa, uma vez que a então secretária é nora do prefeito do município, Antônio José Bissani.

Segundo o MP, a Lei Orgânica do Município de Água Doce é ainda mais restritiva do que a Súmula Vinculante n. 13 do Supremo Tribunal Federal (STF) – que dispõe sobre as limitações da nomeação de parentes para cargos públicos. Conforme o promotor de justiça, Jorge Eduardo Hoffmann, para o STF a contratação de parentes para o cargo político – caso dos secretários municipais – é justificável, desde que seja norteada por critérios técnicos e profissionais. Já a Lei orgânica de Água Doce veda integralmente a contratação de pessoas com vínculo de parentesco, independentemente da motivação.

De acordo com o Promotor de Justiça, o art. 93 da Lei Orgânica restringe expressamente a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, até o terceiro grau civil, para cargos ou emprego em comissão do Município. “Ou seja, no âmbito do Município há vedação legal à prática do nepotismo, de modo que qualquer ato administrativo que viole a norma é eivado de ilegalidade e deve ser extirpado imediatamente”, argumentou na ação.

A medida liminar, no entanto, foi negada pelo Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Joaçaba, amparado em precedente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina que julgava situação diversa da apurada nos autos, sob o entendimento de que, por tratar-se de agente político, seria possível a nomeação.

O Promotor de Justiça interpôs com um recurso contra a decisão – um agravo de instrumento com pedido de tutela de urgência – no TJSC. A medida liminar pleiteada foi, então, deferida por decisão monocrática que determinou o afastamento de Edna Fátima Lemos Vieira Bissani do cargo comissionado de Secretária de Administração e Fazenda do Município de Água Doce, com a suspensão do pagamento de sua remuneração. A decisão liminar é passível de recurso.

O Ministério Público requer, ainda, que no julgamento do mérito da ação seja declarado nulo o ato de nomeação da nora do Prefeito e determinada a devolução de todos os valores pagos a ela pelo exercício do cargo, além da responsabilização dela e do Prefeito por ato de improbidade administrativa. O mérito da ação ainda não foi julgado pelo Poder Judiciário.

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