Deputado de Santa Catarina é preso pela Polícia Federal

por Guilherme Zimermann em 8 de Fevereiro de 2018 9:57
por Guilherme Zimermann em 8 de Fevereiro de 2018 9:57
Esta matéria utiliza fontes de: G1/SC
Santa Catarina

Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

O ex-prefeito dos municípios de Pinhalzinho e Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, e atual deputado federal pelo estado barriga verde, João Rodrigues (PSD), foi preso no inicio da manhã desta quinta-feira (08) pela Polícia Federal, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. O parlamentar foi condenado a cinco anos e três meses de reclusão em regime semiaberto por fraude e dispensa de licitação.

Conforme denúncia do Ministério Público Federal, em 1999, Rodrigues exerceu por 30 dias o cargo de prefeito interino de Pinhalzinho. Nesse período, ele autorizou licitação para a compra de uma retroescavadeira para por R$ 60 mil. Como parte do pagamento, foi entregue uma retroescavadeira usada, no valor de R$ 23 mil. Segundo o MPF, a comissão que avaliaria o preço da máquina usada, contudo, só foi nomeada dois dias depois do edital de tomada de preços, onde já constavam os R$ 23 mil.

A licitação foi feita na modalidade de tomada de preços e houve somente uma concorrente, da cidade de São José, a 650 quilômetros de Pinhalzinho. A empresa vencedora teria recebido R$ 95,2 mil mais a máquina usada. Além disso, a máquina usada teria sido vendida a um terceiro, por R$ 35 mil.

Em 2009, Rodrigues foi condenado pelo Tribunal Regional Federal-4, em Porto Alegre. À época, ele era prefeito de Chapecó e por isso foi julgado diretamente na segunda instância da Justiça. Como assumiu o mandato de deputado federal em 2011, o processo foi remetido para o STF. Na terça-feira (06), o Supremo determinou a execução imediata da pena.

O deputado estava em viagem aos Estados Unidos e na madrugada desta quinta-feira, divulgou um vídeo,  afirmando que irá reverter a situação e que partiria de Orlando, na Flórida, para o Paraguai.

A Polícia Federal identificou a alteração do destino do voo, comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes autorizou a inclusão do nome do deputado na difusão vermelha da Interpol (Polícia Internacional). O deputado foi impedido de entrar no Paraguai e foi obrigado a embarcar para o Brasil.

A assessoria do parlamentar publicou nota à imprensa:

O Deputado federal João Rodrigues (PSD) embarcou em Orlando (EUA) na manhã desta quarta-feira (7) com destino a Assunção (Paraguai), de onde faria o trajeto até Chapecó de carro para que na sexta-feira (9) onde se apresentaria à Polícia Federal, como tinha antecipado aos meios de comunicação. Chegando ao Paraguai, no aeroporto, foi abordado por policiais federais, automaticamente feito o comunicado, se entregou. Está indo na manhã desta quinta (8) a São Paulo e depois Brasília, aonde acompanhado de seu advogado, vai cumprir o que determina a Lei.

Voltou a dizer que acredita na Justiça e que seus advogados vão reverter essa situação. Primeira na discussão da prescrição do processo e segundo, com todos os argumentos possíveis, em mais um recurso, para reverter processo que determina a prisão não é transitado e julgado. O deputado afirma que se sente magoado em razão de uma condenação extremamente injusta, mas ao mesmo tempo está aliviado. “Há 20 anos sofro com esse processo. Esperava que o desfecho fosse outro, mas infelizmente por razões que não entendo, vou cumprir a pena, aguardando uma modificação nesta determinação judicial”.

Natural do Rio Grande do Sul, João Rodrigues radicou-se no Oeste catarinense na década de 1980, onde ganhou destaque como radialista e apresentador de televisão. Além de prefeito, foi deputado estadual e cumpre seu segundo mandato como deputado federal. Liderança do PSD catarinense, até o final do ano passado era apontado como pré-candidato ao governo de Santa Catarina nas eleições de 2018.

 

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