UFFS faz acordo para otimizar produção da lecitina de soja orgânica

por Evandro Artuzzi em 2 de Março de 2018 13:07
por Evandro Artuzzi em 2 de Março de 2018 13:07
Esta matéria utiliza fontes de: Assessoria UFFS

Os produtos orgânicos ganham cada vez mais a preferência do consumidor. Entre esses produtos a soja e seus derivados também ganham espaço no mercado. Nessa perspectiva, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Realeza estabeleceu um Acordo de Cooperação Técnica com a empresa Gebana Brasil, de Capanema. O objetivo é otimizar o processo de produção da lecitina de soja orgânica, a qual é produzida a partir do óleo de soja, bem como a aplicação do produto na indústria alimentícia e farmacêutica. O acordo tem caráter interdisciplinar e extensionista, envolvendo os cursos de Química Licenciatura e de Nutrição.

A parceria irá permitir que a Universidade e a empresa trabalhem para aprimorar o processo de extração do material, preservando as características físico-químicas do produto, transformando a lecitina do estado líquido para pó. “Durante o processo de industrialização, o material pode deixar de ser orgânico com a inserção de aditivos químicos, o que pode mudar as características do produto final. Um dos focos do projeto é que todo esse processo aconteça de forma orgânica, não comprometendo o produto final”, destacou uma das pesquisadoras, a técnica-administrativa em educação, Edinéia Paula Sartori Schmitz.

Projeto envolve a participação dos cursos de Química e Nutrição/ UFFS/Ariel Tavares

A lecitina é rica em colina, um nutriente essencial que faz parte do complexo B de vitaminas, que pode auxiliar no tratamento de distúrbios de memória, além de possuir propriedades que ativam a circulação sanguínea, reduzindo as taxas de colesterol e triglicerídeos, o que diminui o risco de doenças cardiovasculares. A produção da lecitina em pó orgânica permitirá, ainda, o desenvolvimento de outra etapa importante do projeto, que consiste na produção de fármacos. “Vamos estudar esse composto, verificar sua pureza e demais características para que, aliados à bionanotecnologia, possamos dar início ao estudo na elaboração de alguns medicamentos que irão interagir mais rapidamente no corpo humano”, comentou a coordenadora do projeto, professora Gisele Louro Peres.

Por conter propriedades emulsificantes, ajudando a dar liga nas substâncias, a lecitina de soja é muito utilizada na indústria de alimentos. Esse é outro ponto de abordagem do projeto, que consiste na produção de barras de cereais utilizando a lecitina orgânica. “A lecitina de soja é usada em vários alimentos com o fim de dar liga, de unir ingredientes como, por exemplo, em boa parte dos produtos de panificação e misturas prontas como bolo, achocolatados e leite em pó. Num primeiro momento vamos desenvolver as barras de cereais orgânicas, utilizando apenas ingredientes orgânicos, entre eles a lecitina em pó, mas podemos ainda desenvolver vários outros produtos”, comentou a colaboradora do projeto, professora do curso de Nutrição, Jucieli Weber.

Para o desenvolvimento das atividades, a empresa Gebana Brasil irá fornecer a matéria-prima do estudo, a lecitina de soja líquida, assim como outros materiais de insumo, como reagentes e vidrarias, equipamentos, suporte em análises, além de bolsas de pesquisa para os acadêmicos participantes. “A perspectiva da parceria é muito interessante, pois a Universidade consegue acessar um novo produto e aplicar novas técnicas de estudos e, do nosso lado, temos a oportunidade de desenvolver um produto que possa ser interessante comercialmente. O fato dessa proximidade com a Universidade já nos abre várias possibilidades de melhorar nosso processo interno”, comentou o gerente geral da empresa, Jonathas Baerle.

Também participam do projeto os acadêmicos Jéssica Scherer Baptaglin e Maicon Cauan Wagner, que trabalha para empresa, e a estudante voluntária Eligiane Cardoso Ferreira. A parceria com a UFFS foi iniciada quando Maicon atuava como estagiário para a Gebana Brasil. “Sempre tive um grande desejo de desenvolver um projeto de pesquisa, fazer algo novo. Falei sobre minhas ideias para aprimorar a produção da lecitina com a gerência da empresa e fomos construindo essa parceria, buscando otimizar e desenvolver um produto que atendesse os padrões nacionais e internacionais. Para além disso, outro ponto do nosso plano de trabalho é defender e sensibilizar a comunidade sobre a importância do cultivo orgânico”, lembrou Maicon.

De acordo com o diretor do Campus Realeza, professor Antônio Marcos Myskiw, um dos compromissos institucionais da UFFS “é fortalecer a questão da agroecologia, dos produtos orgânicos, da qualidade alimentar não só humana, mas também animal. Esse Acordo de Cooperação Técnica é um passo inicial de outros que ainda virão na sequência”. O coordenador acadêmico, professor Marcos Antonio Beal, complementou dizendo que “a UFFS nasceu representando o novo em muitos aspectos. Nessa direção, o novo comporta apostar na agroecologia, numa racionalidade ambiental que possa subverter a lógica que se constituiu nos últimos séculos na agricultura moderna”, destacou.

Compartilhar