Treinando com o papai: beltronense é Campeã Paranaense de JIU-JITSU

por Juliana Raddi em 24 de Maio de 2018 16:26
por Juliana Raddi em 24 de Maio de 2018 16:26

Pai e filha treinam juntos há um ano. (Foto: Juliana Raddi)

Os laços entre pais e filhos se estreitam quando eles possuem algo em comum, seja o gosto pela comida, o modo de vestir, o time do coração, algumas manias ou até mesmo um esporte praticado em conjunto. Em Francisco Beltrão uma parceria entre pai e filha no tatame está dando o que falar. Aos seis anos Valentina Pellegrini Schmidt segue os passos do pai Luis Eduardo Marchetti Schmidt no Jiu-Jitsu.

(Foto: Divulgação)

A pequena lutadora começou no Jiu-Jitsu há três meses e já conquistou duas medalhas de ouro na categoria ‘Pré Mirim 6 Peso Leve’. A primeira foi conquistada em abril pela ‘Copa Mestre do Açaí’, organizado pela Gracie Barra Beltrão, do professor Álvaro Francescon. Já a segunda medalha de ouro ela garantiu recentemente na segunda etapa do Campeonato Paranaense em Guarapuava que aconteceu no dia 20 de maio. A rotina de treinos é compatível com a sua idade, ela treina duas vezes por semana com o professor Faixa Marrom Willian Elicker e supervisão do Faixa Preta Álvaro Francescon.

Professor de Muay Thai, Boxe e MMA, Luis Eduardo Marchetti Schmidt é conhecido como professor ‘Tyza’. Grau Preto de Muay Thai, já conquistou muitas medalhas, porém destaca que nenhuma contou com a mesma emoção que sentiu ao ver sua filha sendo premiada, “sempre competi, a vida toda… Competi judô quando criança, Capoeira, Boxe, Muay Thai, Tae Kwon Do. Já conquistei muitas medalhas importantes, mas nenhuma delas foi tão emocionante quanto a primeira medalha dela”.

Eles treinam na academia Elizeu Capoeira MMA School. (Foto: Juliana Raddi)

A união entre pai e filha cresceu a partir da prática do esporte e ele não esconde o orgulho que sente de sua pequena, “jamais exigi que ela treinasse, ela sempre me via nos tatames e acho que foi pegando gosto aos poucos. Hoje ela briga para não faltar nas aulas e isso me deixa muito orgulhoso. Por ela ter os pais separados, acredito que isso nos deixou mais próximos. Ter algo em comum comigo, termos uma paixão pela mesma coisa, isso não tem preço! ”

Eles treinam juntos há cerca de um ano. “Ela treina Muay Thai comigo mas em modo lúdico, assim ela vai tendo conhecimento das artes marciais.” A relação da pequena com o tatame iniciou muito antes, como ele conta: “a mãe dela treinava Muay Thai quando grávida. A Valentina engatinhou no tatame, deu seus primeiros passinhos em cima de um e não parou mais.”

A diversão é garantida a cada treino, momentos que são compartilhados através de seu perfil no Instagram @tyzamma e no perfil da lutadora @valentinajiujitsu criado por ele. “Eu cuido da conta, mas a maioria das fotos ela escolhe e ainda escreve a descrição. Criei a conta justamente para divulgar o ‘trabalho’ dela no Jiu-Jitsu. Quando for mais velha, quem sabe uma futura campeã mundial na faixa preta, vai ter fotos da história desde o início!”, explica.

O esporte levado a sério

Entre os dois existe muita cumplicidade e confiança. Valentina leva muito a sério o esporte, adora treinar e competir como detalha Luis Eduardo, “ela estava brava porque não havia ninguém na chave dela para competir com ela. Ela não queria medalha sem lutar e insistia em querer lutar. Conversei com a organização do estadual e acharam uma menina que também não tinha luta na chave. E casaram a luta das duas. A menina era um pouco menor que ela, então pedi para ela tomar cuidado e não machucar a adversária. Valentina deixou a menina derrubar ela umas duas vezes, mas quando falei no korner dela ‘agora filha, vai sério e acaba a luta!’ ela derrubou, passou a guarda, foi para montada e finalizou no Armlock.”

(Foto: Divulgação)

O papai não esconde o orgulho em transmitir valores tão importantes para a filha, “é uma satisfação enorme para mim. Vejo que estou fazendo algo por ela que ela vai levar para a vida toda. Os valores e as tradições do artista marcial ela já vai ter aprendido e é isso acho que vai ajudar ela a ser uma boa pessoa, e se eu tiver a oportunidade farei para os meus netos o que eu fiz para ela. ”

Praticante de artes marciais desde os seis anos, o educador físico e atleta de JIU-JITSU indica a prática do esporte a partir dos 4 anos de idade. “As artes marciais me ajudaram a superar muita coisa na vida: a separação dos meus pais, o bullying na escola, entre tantos outros desafios da adolescência. ”

Proprietário da Academia Elizeu Capoeira MMA School, Luis destaca ainda a importância do esporte para o desenvolvimento da criança. “Essa inserção em um mundo de regras e disciplina, um local onde existem costumes diferentes dos vividos no dia a dia, ajuda bastante na formação da personalidade da criança e cria uma autoconfiança excelente. Isso irá refletir na fase da adolescência e juventude”, e destaca que “no mundo de hoje, toda menina deveria saber uma arte marcial, até mesmo para sua própria proteção.”

 

Compartilhar