Suspensão do abate de peru é debatida em assembleia da Avisud

por Evandro Artuzzi em 28 de junho de 2018 14:19
por Evandro Artuzzi em 28 de junho de 2018 14:19

Os problemas ocasionados pela suspensão do abate de perus na unidade da BRF foram tema uma reunião na noite desta quarta-feira (27) em Francisco Beltrão. Organizada pela Avisud – Associação dos Avicultores do Sudoeste, a assembleia reuniu cerca de 200 produtores de Francisco Beltrão e região.

O advogado Arni Hall, assessório jurídico da entidade, esteve presente e orientou os avicultores como devem proceder em relação a rescisão dos contratos com a empresa. Segundo ele, cada caso precisa ser analisado com muita cautela, pois nem todos os contratos seguem as mesmas diretrizes. “Tem contrato para o produtor que mantém um aviário, tem aqueles que tem dois ou três, então é preciso analisar com cuidado, mas a orientação é pra que os produtores não se precipitem, não assinem nada no impulso, sem analisar, sem ter uma garantia de que, pelo menos, as dívidas contraídas em agências bancárias serão sanadas pela BRF”, disse.

Claudiney Colognese, presidente da Avisud, coordenou a assembleia. Foto: Evandro Artuzi/RBJ

Integrado há 22 anos, Wlademir José Gomes conta que terá um prejuízo de cerca de R$ 15 mil na propriedade com os aviários fechados. Ele conta que o comunicado da suspensão do abate foi repassado pelo extensionista da empresa faz as visitas nas propriedades. Wlademir diz que tanto ele, quanto seus funcionários foram pegos de surpresa. “É uma situação bem complicada, mesmo pra mim que não dependo dessa renda, mas tenho uma família que mora lá e tinha no aviário seu ganha pão, além isso tem também todo o investimento feito na propriedade desde quando construímos o aviário até algumas adequações feitas no mês de novembro de 2017. Não sei o que fazer, migrar para o frango pode até dar certo, mas a lucratividade é bem menor, então é complicado”, observou.

Além da suspensão do abate, outra decisão da empresa vai aumentar os prejuízos para os produtores. Conforme Odirlei Roque Vandresen, de Nova Concórdia, compartilhou na assembleia que recebeu um aviso da BRF sendo informado que o excedente da ração será descontado no último lote a ser retirado do aviário nos próximos dias. “O técnico comunicou hoje quando trouxe a nota do encerramento da produção, que o excedente da ração ele ia descontar do lote final do aviário, alegando não ter o que fazer com essa ração que vai sobrar. Eu como tenho quatro barracões é difícil controlar, vai sobrar umas quatro toneladas cujo valor é de R$ 0,70 ou R$ 0,80 centavos, é um prejuízo grande”, desabafou.

Lideranças da região acompanharam a reunião. O prefeito de Manfrinópolis, Caetano Alievi afirmou eu o município vai sofrer com essa decisão, uma vez que tem 60 aviários em funcionamento, empregando mais de 150 funcionários, além das famílias. “Temos funcionário que trabalham na BRF, temos uma empresa que faz esse transporte, além do ICMS do município que vai ser afetado, então tá muito difícil, por isso estamos participando da reunião e nos colocamos a disposição da Avisud para auxiliar nessa luta”, frisou.

A assembleia teve mais de três horas de duração. Ao final, ficou decidido que a situação deve ser exposta a deputados estaduais, federais e senadores do Paraná, para que esse intervenham junto a empresa e ao governo federal em busca de uma solução que não afeta drasticamente produtores. Também, segundo o presidente da Avisud, Claudiney Colognese, foi formado uma comissão composta por dez integrantes da entidade, a qual deverá apresentar algumas propostas aos representantes da empresa ainda essa semana. “A principal proposta seria que nós (produtores de peru) ficássemos seis meses recebendo para ganhar tempo e discutir até que se tome uma decisão diferente dessa que foi tomada, por que a BRF hoje deu pouco tempo pra nós, pegaram de surpresa, os produtores, a gente esperava uma notícia melhor que essa”, destacou.

Ouça reportagem Onda Sul FM….

Fotos: Evandro Artuzi/RBJ

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