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“Semeando Sorrisos”, transformando dor em alegria

por Juliana Raddi em 4 de dezembro de 2018 17:22
por Juliana Raddi em 4 de dezembro de 2018 17:22

(Foto: Divulgação)

 

Neste final de semana membros do grupo Semeando Sorrisos participaram de uma Oficina de Capacitação na Câmara de Vereadores em Francisco Beltrão com o ator Alexandre Penha. O curso contou com a participação de 23 pessoas interessadas em realizar o trabalho nos hospitais da cidade como palhaços.

O Engenheiro José Carlos Kniphoff, fundador do grupo comenta que as atividades iniciaram em 2013, “eu estava no final do meu mandato como presidente do Rotary Francisco Beltrão Industrial”. Ao longo de seis anos de atividades já passaram pelo grupo cerca de 200 pessoas e atualmente em Francisco Beltrão são 27 participantes.

(Foto: Divulgação)

O grupo atua semanalmente no antigo 24 horas, na UPA, Hospital Regional e no Hospital São Francisco com diversas atividades, “tem um grupo que toca viola a noite, que faz músicas antigas e o grupo que vai para interagir nessa questão de palhaço mesmo, de brincadeira com crianças”.

Para que o grupo esteja apto a realizar as atividades no ambiente hospitalar, recebe orientação e acompanhamento de uma psicóloga no Hospital Regional “em casos de algumas patologias mais complicadas, a gente tem que saber o que fazer”. Segundo José Carlos os treinamentos acontecem principalmente para os novos integrantes, “a gente está entrando no hospital, se expondo a infecção hospitalar, várias situações em que temos que estar preparados. Realizar corretamente a higienização das mãos, não ter contato físico com o paciente, principalmente de abraçar ou coisa do gênero” e destaca que o intuito é a interação na questão da fala e fazer com que os pacientes tenham momentos de distração durante o tratamento médico.

A cada visita novas histórias surgem, pessoas que estão no hospital em busca de recuperação e às vezes sem perspectiva de melhora. Entre elas, uma emocionou o grupo, “conhecemos uma senhora que já estava convalescendo, ela ficou amiga do grupo, a gente sempre dava um palhacinho de lembrança para os pacientes, infelizmente ela acabou falecendo, mas durante esse tempo e antes de morrer ela pediu para ser enterrada com aquele palhacinho no peito e assim a família procedeu, logo depois eles relataram para nós e foi um momento de muita emoção”.

 

Oficina de capacitação

Formado em História e Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Maringá, o ator Alexandre Penha esteve pela terceira vez em Francisco Beltrão. O trabalho realizado durante a oficina foi específico para formação do palhaço para hospital, “nosso objetivo é trabalhar como o palhaço, ator aborda o paciente no hospital, como ele trabalha a doença, então a gente acaba passando por todas as técnicas universais do palhaço, a questão da máscara, o jogo do palhaço do hospital, mas sempre focando como isso se transforma para o ambiente hospitalar”, comenta Alexandre.

(Foto: Divulgação)

O ator explica que o palhaço de hospital é um pouco diferente do circo, do teatro e seu trabalho é esclarecer essas variações. Como esse trabalho busca atender qualquer público, apenas em casos de restrição os voluntários não entram, “a enfermeira nos informa se tem alguma infecção, alguma coisa que é transmitida pelo ar e a gente evita entrar no quarto. O nosso objetivo é trabalhar não só com os hospitalizados, mas com os acompanhantes, médicos, enfermeiros, todo mundo que está envolvido ali no processo de cura do hospital”.

Segundo ele é uma atividade recompensadora, “faço isso há 16 anos, minha jornada prova para mim e para os outros que é um trabalho as que compensador em vários sentidos. Compartilhar experiências, conhecer as histórias, as dores e conseguir transformar essas dores em alegrias, isso é um trabalho que não tem preço! ”.

(Foto: Reprodução/Facebook)

O trabalho conta com apoio a instituições humanitárias, o que permitiu a Alexandre visitar quase 40 países, conhecendo diferentes realidades. O objetivo do trabalho é capacitar pessoas a conseguir não apenas se vestir de palhaço, mas ser palhaço em qualquer ambiente, “poder entrar para transformar um ambiente de tragédia em comédia”, destaca.

Para ser um integrante do Semeando Sorrisos basta ter vontade de ajudar o outro, mas é fundamental ter disciplina. “Principalmente para o latino, brasileiro, a ideia da disciplina, cumprir as escalas, os treinamentos são muito difíceis, mas preciso destacar: para um trabalho voluntário é fundamental”.

 

Confira a entrevista na íntegra:

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