Seab reconhece elevado custo para armazenagem na Codapar de Palmas

por Redação RBJ em 28 de julho de 2015 11:00
por Redação RBJ em 28 de julho de 2015 11:00

Foi realizada na tarde de segunda-feira (27), no Departamento de Agricultura de Palmas, sul do Paraná, uma reunião entre produtores de maçã, presidência da Frutipar (Associação dos Fruticultores do Paraná),  gerência da unidade da Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná) e chefia do Núcleo Regional da Secretaria Estadual de Agricultura, para discussão dos altos custos que os produtores palmenses têm de arcar para armazenarem os frutos em Palmas.

Atualmente, a Codapar cobra R$ 80,00 mensais por tonelada armazenada em suas câmaras frigoríficas. Segundo levantamento da Frutipar, o custo de armazenagem médio no Brasil é de R$ 37,00 por tonelada, para atmosfera controlada e R$ 33,00 por tonelada para atmosfera comum. Diante da situação, muitos produtores ameaçam levar suas produções para armazenagem e embalamento em Santa Catarina, de onde já receberam propostas.

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De acordo com o diretor do Departamento municipal de Agricultura, Edson Cassaniga, que mediou a reunião, é encontrar uma solução viável, tanto para produtores, como também para a Codapar. Destacou que é importante que o produtor consiga uma maior rentabilidade, frente às inúmeras dificuldades enfrentadas pelo setor.

Ressaltou a importância da cultura macieira no município, que no último ano movimentou mais de R$ 20 milhões no Valor Bruto de Produção (VBP), além de gerar emprego e renda, desde os pomares até o trabalho de classificação e embalamento. “Nós não queremos que o produtor leve a maçã aqui de Palmas para armazenar e até mesmo comercializar em outros municípios.”, disse.

 

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O presidente da Frutipar e diretor técnico de qualidade da ABPM (Associação Brasileira dos Produtores de Maçã), Ivanir Dalanhol, avaliou de maneira positiva a reunião, pois, segundo ele, através dela se abriu um canal de negociação entre produtores e Governo do Estado. Enfatizou que os preços praticados pela estatal são muito altos, onerando o setor e diminuindo cada vez mais os lucros. “Nós não queremos pagar menos, mas, no mínimo, pagar os valores iguais à média nacional, porque aí conseguimos ficar competitivos. Se nós termos um custo muito alto, nós perdemos dinheiro, porque essa diferença nos custos de armazenagem saem do lucro do produtor.”, apontou.

Outro ponto destacado na reunião foi a falta de investimentos na unidade da Codapar de Palmas. Conforme Dalanhol, a unidade apresenta deficiência no setor de classificação, com maquinário próprio defasado. Além disso, a gerência da unidade local aponta que no último ano, a conta de energia elétrica da empresa aumentou em mais de 110%. Assuntos que deverão ser levados à discussão junto ao Governo.

Ainda no ano de 2011, produtores, técnicos da área e vereadores reuniram-se com o Secretário da Agricultura, pedindo melhorias na estrutura da Codapar em Palmas. Segundo informações, foi realizado um levantamento de custos para renovação de equipamentos, porém, o assunto ficou somente no papel.

Informou Dalanhol que a partir do encontro, será feito um levantamento minucioso dos custos para armazenamento em empresas de Santa Catarina, para então elaborar um documento de reivindicação, contendo algumas propostas que serão apresentadas em reunião a ser agendada junto ao Secretário Estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, e a direção da Codapar.

 

De acordo com o chefe do Núcleo Regional da Seab, Ivano Luiz Carniel, a demanda apresentada pelos produtores é também uma preocupação por parte do Governo, pois a problemática acaba inviabilizando a cultura e tirando a renda do produtor. Reconheceu que os preços praticados pela Codapar, comparados ao que se encontra em Santa Catarina, por exemplo, são muito elevados e devem ser discutidos.

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Explicou que a tabela de preços de Companhia é formulada diante da realidade e dos custos que se têm no Paraná. Dessa forma, apontou que é importante que se conheça a forma de trabalho de outros Estados, para que os produtores possam formular suas propostas à direção da Codapar.

Conforme ele, a questão de investimentos na unidade da Companhia em Palmas já foi debatida por diversas com a Secretaria de Agricultura. No entanto, salientou que, mesmo diante da reclamação dos altos custos, a Codapar de Palmas não consegue se tornar auto-viável, ou seja, dar lucro. Dessa forma, a capacidade de investimentos, tanto da unidade, como da Companhia como um todo, fica comprometida.

 

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