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Projeto “Vovô Sabe Tudo”, integrando valores e gerações

por Juliana Raddi em 24 de setembro de 2018 15:20
por Juliana Raddi em 24 de setembro de 2018 15:20

(Foto: Imagem Ilustrativa)

 

Houve um tempo em que as crianças se reuniam na casa dos avós ou aguardavam ansiosos pela visita deles. Longe das tecnologias, as brincadeiras eram outras e uma das diversões era entrar em um universo de fantasia a partir das histórias que eles contavam. Muitas verídicas, que aconteceram ali mesmo, naquela casa onde estavam reunidos. Outras não se sabe, mas deixavam os pequenos com olhos arregalados, atentos a cada palavra, prendendo sua atenção até a hora de dormir.

Os tempos são outros, as tecnologias fazem parte da vida das crianças. E nesse aspecto nem tudo é negativo. Essa era tecnológica permite que a distância seja diminuída, em partes. Porém, nenhuma tecnologia substitui o contato físico, o abraço, o carinho, tão necessários para o desenvolvimento das crianças.

Projeto deve ser votado dentro de 30 dias (Foto: Reprodução/Facebook)

Agora já imaginou contar com a experiência de vida dos vovôs para a formação cultural e educacional de crianças e adolescentes? O projeto de lei apresentado pela Vereadora Fran Schmitz, intitulado “Vovô sabe tudo”, tem como objetivo valorizar e promover a integração entre as gerações, criando um ambiente de convivência harmoniosa e de respeito entre os idosos e as crianças. O projeto será apresentado dentro de trinta dias e aguarda aprovação da Câmara Municipal de Vereadores.

Trabalhando com políticas públicas, a Vereadora sempre manifestou o interesse em valorizar a pessoa da terceira idade e seu desejo de criar alternativas para direcionar a energia dessa geração. “A terceira idade geralmente participa de algumas atividades na assistência social, mas nem todos gostam de bailinho, nem todos são vulneráveis para ser atendido pela equipe multidisciplinar…”, destaca.

O projeto apresentado com bastante antecedência oportuna que alterações sejam discutidas e caso necessárias, realizadas. “A gente jamais tem o desejo de ser taxativo. Nossa intenção é de utilizar o conhecimento nessa busca intergeracional, focando sempre três eixos:  educação, cultura e social” e comenta que na primeira discussão com a equipe da educação sobre o projeto, “eles manifestaram que seria interessante usar o conhecimento da vovó ou do vovô dentro do CMEI, contar a história, como era o tempo deles, fortalecer a questão dos valores”.

Cerca de 50 idosos trabalham como “Vovô Sabe Tudo” em Santos, SP. (Foto Anna Gabriela Ribeiro)

O projeto já existe em duas cidades do Brasil e o resultado é bastante positivo. “Santos/SP utiliza para o turismo, os vovôs fazem visitas com os turistas na cidade explicando a história, como é que surgiu a cidade. Rondonópolis/MT utiliza o conhecimento no sentido de passar o ofício de vovô para criança, então eles vão nas escolas explicam o trabalho como é que era no seu tempo”, pontua.

Sobre a motivação para o projeto, Fran Schmitz conta que se deve muito pela sua motivação enquanto psicóloga. “Muitas vezes o idoso se sente sozinho e a criança também, às vezes as professoras têm uma demanda absurda nas escolas, então esse projeto visa de alguma forma acolher, levar carinho, tentar resgatar essa questão intergeracional”.

Seleção de participantes

(Imagem Ilustrativa)

Segundo a Vereadora, inicialmente serão selecionadas pessoas com mais de 60 anos. “A escolha se daria muito mais pelo desejo de fazer a diferença, a demonstração da motivação de querer estar ali”, e detalha: “os idosos selecionados devem participar de um treinamento. Porque essa atividade deve ser direcionada, que tipo de abordagem ele pode ter, qual o tempo de atividade que ele irá realizar”.

Os participantes devem ser valorizado pela atividade, como explica a psicóloga, “a gente coloca como possibilidade um certificado de reconhecimento, de ajuda à sociedade. E então nesse sentido valorizar esses valores, esse desejo de fazer diferença para sociedade, acho que é isso às vezes está faltando nos dias de hoje. ”

Desafios do cargo

Eleita Vereadora destaque pela pesquisa do Jornal de Beltrão em 2017, Fran Schmitz destaca a importância desse reconhecimento, “sem dúvidas isso me motiva a lutar, fazendo as coisas certas de uma forma transparente. Não é fácil ser político. Não é fácil colocar as coisas que a gente pensa de um modo que realmente a gente atenda o interesse da população e não do político”.

Mesmo com as divergências que o ambiente político infere, ela destaca que antes de tomar uma atitude reflete sobre como gostaria de ser representada. “Lembro que lá no início, antes de ser candidata a vereadora questionava se eu seria bem aceita. Sempre falei que não deixaria de ser autêntica, ser eu. As pessoas sabem exatamente o que eu penso, onde eu tenho ou não dificuldade. Sabem que eu já me frustrei muito, mas mesmo assim sou uma pessoa motivada em busca de bons projetos e política justa. Essa é a linha que eu quero seguir para minha vida”, finaliza.

 

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