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Pesquisa revela carências e apatia política entre os jovens do PR

por Ivan Cezar Fochzato em 25 de Janeiro de 2018 17:07
por Ivan Cezar Fochzato em 25 de Janeiro de 2018 17:07

Os jovens paranaenses apresentam pouco conhecimento sobre o funcionamento das instituições políticas e baixo nível de engajamento social. Por outro lado, desejam mudanças na realidade brasileira, apesar do pouco envolvimento nas questões sociais e políticas da sociedade. Esse, de forma geral, é o resultado da pesquisa realizada pelo Ministério Público do Paraná(MP/PR) e Secretaria Estadual da Educação, dentro do programa Geração Atitude. O objetivo foi investigar o conhecimento dos jovens sobre temas relacionados à cidadania e à política.

Apenas 5,54% dos entrevistados declararam participar ativamente dos grêmios estudantis e outros 81,4% ao menos sabem de sua existência como instância de representação. Somente 1,66% disseram participar ativamente de audiências públicas  e 85,6% nunca participaram ou não sabem do que se trata. Além disso, apenas 37,7% dos entrevistados disseram ter interesse na política. Apesar da baixíssima participação, mais de 80% dos alunos acreditam que a educação política deveria estar presente nas escolas.

Os estudantes  demonstraram decepção com os representantes políticos em todos os níveis. A pesquisa mediu que 68,7% concordam parcial ou totalmente que “os políticos são todos corruptos”. De suas partes, entretanto, 19,8% diz que “venderia o voto por R$ 1 mil”.

A Constituição Federal é desconhecida por 41,2% e outros 41% não sabem o que faz um Deputado Federal. As funções de um Juiz são desconhecidas de 33% e 39,3% dizem o mesmo do Ministério Público.

O principal meio de informação para 31,48% dos estudantes é a internet. A TV apareceu em segundo lugar, com 28,9%. Os jovens elegeram como problemas mais graves nos seus municípios a saúde (26,2%), a segurança (16,3%), o desemprego (15,9%), o saneamento básico (15,5%) e a educação (10,5%). Mais de um terço dos estudantes(34,3%)diz colaborar com a renda familiar.

Ao analisar a pesquisa, o promotor de Justiça, Eduardo Cambi, coordenador do Geração Atitude, destacou que apesar de apontar a corrupção como um dos grandes problemas do país e de que os políticos não representam adequadamente a sociedade, os jovens não tomam atitudes para mudar esse quadro. São pouquíssimos os que têm interesse pela política e que participam de atividades de cidadania, dentro ou fora da escola. “Os jovens acreditam que a situação está ruim, mas pouco ou nada fazem para mudá-la e parecem não acreditar na força da participação popular”, lamenta Cambi.

O procurador de Justiça Armando Antônio Sobreiro Neto, avaliou que a baixa participação na vida cívica é reflexo da falta de cultura de uma vivência comunitária. “Percebe-se que não há incentivo no âmbito familiar. Também as escolas investem pouco na previsão de práticas cívicas. Esse quadro de apatia e de falta de compreensão da importância das ações comunitárias explica o baixíssimo índice de interesse na política, inclusive atividades partidárias, como instrumento de transformação da realidade social, pois através dos partidos políticos se pode interferir nas prioridades das decisões político-administrativa, com repartição mais adequada das riquezas produzidas pelos brasileiros”, pontua.

O promotor Cambi suegeriu que a escola pode se aproximar mais dos problemas sociais e, ao invés de trabalhar com temas abstratos, ensinar, por exemplo, os alunos a usarem a Lei de Acesso a Informação e a fiscalizarem os portais da transparência. Por sua vez, os estudantes, ao participarem dos grêmios estudantis, dos conselhos escolares ou de outros espaços democráticos, deveriam contribuir com a gestão da escola, além de cobrar os diretores das instituições de ensino para que prestem contas de suas atuações e do uso do dinheiro público.

Para Sobreiro, o alto percentual de jovens admitindo a venda do voto por R$ 1.000,00 revela que não há compreensão de que a vantagem indevida recebida em disputa eleitoral vai custar muito caro quando os políticos corruptos assumires o poder, notadamente nas políticas públicas nas áreas mais sensíveis, tais como, saúde, educação, segurança, etc.

Por outro lado, apontou aspectos positivos na pesquisa, como a indicação de que 53% dos entrevistados entendem que a educação política deveria estar presente nas escolas, muito embora se perceba resistência de 11%. As opiniões sobre a eficácia da representação política revelam que há a percepção de que boas escolhas nos anos eleitorais são fundamentais, ou seja, a necessidade de qualidade do voto precisa ser acompanhada da percepção de que transformações somente serão possíveis com a inserção dos jovens na vida partidária, de modo que se promova a transformação política pela raiz.

O levantamento foi realizado em outubro do ano passado e contou com a participação de 10.952 alunos de ensino médio de 176 escolas públicas do estado.

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