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Peça teatral “Deixe-me lhe contar” conscientiza crianças sobre abuso sexual

por Juliana Raddi em 17 de Maio de 2018 20:37
por Juliana Raddi em 17 de Maio de 2018 20:37

O dia 18 de maio foi estabelecido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes. Ciente da relevância do tema a prefeitura de Abelardo Luz/SC através da “Cia. Se7e de Artes Cênicas” de Francisco Beltrão, apresenta nesta sexta feira (18) o espetáculo “Deixe-me lhe contar”.

 

O professor de teatro e diretor da “Cia. Se7e de Artes Cênicas” Gednilson Freitas responsável pelo roteiro e direção da peça, comenta as dificuldades de abordar um tema tão delicado. “Precisávamos de uma peça em forma poética para não assustar as crianças, mas também não poderíamos deixar virar fantasia, pois havia o risco de elas não compreenderem a mensagem que estava sendo transmitida, por isso foi preciso encontrar um equilíbrio.”

Gednilson Freitas é diretor da “Cia Se7e”

O processo de construção do espetáculo durou cerca de três meses e foi necessário agilizar os ensaios para atender o prazo, como lembra o diretor, “geralmente os processos duram em torno de nove meses, por conta desse curto prazo, a gente trabalhou aos sábados o dia inteiro” . Ele destacou ainda a faixa etária para a qual a peça é destinada, “produzimos a peça voltada para alunos do ensino Fundamental 1, na faixa de 8 a 9 anos, mas esse é um espetáculo aberto a todas as idades, as crianças acima de 7 anos já compreendem bem a mensagem que desejamos transmitir. Enfim, toda a família pode assistir.”

Para escrever a peça que relata casos reais, foram realizadas várias pesquisas. “Começamos pela internet, buscamos livros, contamos com um grupo de pesquisa que faz parte do curso de direito da Unipar (Campus Francisco Beltrão) e um advogado também”. Além disso,  o profissional utilizou como base para a construção do espetáculo, experiências que viveu com seus alunos durante a docência.

Formado em Licenciatura em Teatro pela Universidade Estadual do Paraná e Pós Graduado em Psicopedagogia Institucional (FAVENI), Freitas conta que os trabalhos realizados junto a assistência social o possibilitaram escrever e conduzir a peça com domínio do tema, “sempre tive esse ‘pezinho’ na assistência social o que me possibilitou conhecer a realidade marginal, compreender. Já passei por muitos históricos de alunos que contavam para mim, que passaram por essa situação. Então todo o escopo, experiência de vida que eu já tinha, aliado a esse convite foram fundamentais para conseguir fazer um espetáculo interessante.”

Os atores Raquel Santana e Jean Andrade durante ensaio aberto da peça “Deixe-me lhe contar” (Foto: Divulgação)

Quando questionado sobre o que considera mais difícil em toda essa produção, o diretor da “Cia. Se7e de Artes Cênicas”, não hesita: “com certeza o debate depois da cena. Apresentamos o caso e depois a gente tem que discutir, porque não basta mostrar, a gente tem que de certa forma conversar e deixar um espaço confortável para que a criança venha falar. Muitas vezes ela não fala porque não quer contar para o pai ou mãe… não quer que eles sofram.”

Desse modo se faz necessário criar um ambiente para discutir o tema, como ele ressalta, “É necessário utilizar uma linguagem que ela entenda, não adianta falar sobre constituição, ética, usar termos bonitos se isso não chega na criança. A gente precisa da brincadeira, de que a criança compreenda que existe um professor, mãe, avó, que gosta dela e ela pode confiar. Fazer com que ela compreenda que alguém no círculo dela vai ser confiável e que ela tem que contar sobre isso. A parte mais difícil é conversar com uma criança para que ela se abra.”

Segundo Gednilson, o tema é delicado e muito difícil de ser tratado pelos pais que muitas vezes se sentem constrangidos para falar sobre qualquer coisa que tenha caráter sexual, retrato de uma sociedade repleta de tabus.  As pessoas não compreendem que elas podem e devem falar sobre isso na escola, em casa. “Muitos acreditam que ao abordar esse assunto você está incentivando a criança a fazer sexo e a gente não tá em momento nenhum falando sobre sexo, estamos falando sobre abuso” e finaliza propondo uma reflexão, “se for um constrangimento em casa, se na escola esse tema não for abordado, como a criança vai saber que isso é errado? Isso acontece, muito mais do que a gente imagina. Precisamos trazer à tona, discutir o tema, ajudar as nossas crianças e adolescentes que tantas vezes estão fragilizados por falta de instrução ou mesmo de espaço para falar.”

 

Por que 18 de maio?

(Fonte: Fundação Abrinq)

Neste dia, em 1973, uma menina de 8 anos, de Vitória (ES), foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada. Seu corpo apareceu seis dias depois, carbonizado e os seus agressores nunca foram punidos. Com a repercussão do caso, e forte mobilização do movimento em defesa dos direitos das crianças e adolescentes, 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Desde então, esse se tornou o dia para que a população brasileira se una e se manifeste contra esse tipo de violência.

Denuncie
Além da prevenção, o combate a essa realidade exige que os casos sejam denunciados. Portanto, se souber de algum caso de violência sexual infantil, procure o conselho tutelar, delegacias especializadas, polícias militar, federal ou rodoviária e ligue para o Disque Denúncia Nacional, de número 100.

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