14 países em 8 meses, paranaense faz viagem volta ao mundo

por Juliana Raddi em 27 de dezembro de 2017 15:28
por Juliana Raddi em 27 de dezembro de 2017 15:28

(Foto: Reprodução/Facebook)

(Foto: Reprodução/Facebook)

O paranaense André Luiz Baldo, retornou ao Brasil após passar 8 meses vivenciando experiências incríveis em uma viagem de “volta ao mundo”, onde conheceu 14 países e mais de 50 cidades. Nascido e criado em Araucária no Paraná, região metropolitana de Curitiba, aos 15 anos mudou-se para Francisco Beltrão, passando o restante da adolescência. Retornou à Curitiba para fazer faculdade, formou-se em publicidade e propaganda, depois abriu sua própria empresa e começou a se envolver em ativismo político.

Até o início do ano esse seria o relato de um jovem com carreira promissora, vida estável. Porém, desde abril sua vida passou por uma grande reviravolta, uma verdadeira aventura. “Comecei a viagem no início de abril desse ano, a ideia na verdade surgiu na noite do ano novo, eu senti que deveria deixar tudo para trás e partir em uma viagem de autoconhecimento e conhecimento do mundo. Conhecer diferentes culturas, como as pessoas conseguem encontrar a felicidade em diferentes caminhos e condições. Foi isso que me motivou. ”

(Reprodução/Facebook)

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Tudo aconteceu muito rápido e quando se deu conta, o paranaense já havia passado por vários países. “Quando percebi em poucas semanas eu estava comprando meu ticket de passagem de volta ao mundo, visitei África do Sul, Índia, Espanha, Portugal, Marrocos, Egito, Irã, Turquia, quis conhecer a realidade do Oriente Médio, o maior número de realidades possíveis. ”

A viagem iniciou repleta de contratempos, porém, logo André se deparou com experiências que o fizeram persistir.  “Fui roubado no primeiro dia e fiquei naturalmente muito frustrado. Quase voltei, mas tive oportunidade de na primeira semana fazer um trabalho voluntário com uma ONG que trabalha no assentamento mais antigo da cidade do Cabo. Nesse momento pude realmente lidar com o que é miséria, percebi que não tinha motivos para reclamar de nada. Toda frustração que eu estava sentindo, sensação de injustiça, não se comparava nada em relação àquelas pessoas. Isso me deu forças para continuar, parar de reclamar e ver que tenho muito a agradecer.”

O paranaense teve a oportunidade de pular do maior bungee jump do mundo, encarando de frente o medo de altura. Um dos motivos que levaram André a passar pela África e Índia foi a possibilidade de aprender mais sobre Mandela e estudar sobre a vida de outros mestres e ídolos que tem como referência.

(Foto: Reprodução/Facebook)

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“Quando estive no deserto da Namíbia, peguei um carro 2×2 e sozinho, dirigindo à noite, atravessei o país inteiro. Isso foi uma loucura porque é um país vazio e se dirige 100 km sem ver nenhum outro carro na sua direção, é muito perigoso porque os animais atravessam a estrada no meio da noite. Havia chovido muito um dia antes de eu decidir fazer o safari sozinho, quase atolei o carro várias vezes no meio da reserva. Se isso acontecesse eu iria ficar atolado, perder meu voo que era no dia seguinte, enfim, ficar preso no meio dos animais selvagens sem contato do celular sem recurso nenhum, mas graças a Deus deu tudo certo.”

Depois dessa experiência, o jovem seguiu para Portugal onde fez seu primeiro retiro e também conheceu parte da família materna que não conhecia. Porém, mudou o roteiro e de lá seguiu para o Marrocos. “Decidi mudar radicalmente, fui para o Marrocos onde aprendi um pouco sobre o Islã e também sobre a cultura muçulmana. Passei dois dias no deserto do Saara, fui de camelo e dormi no meio do deserto, foi uma experiência linda, as dunas e o silêncio total. ”

Culturas

(Reprodução/Facebook)

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Foi através de novas amizades que André teve contato com o Islamismo e outras culturas. “Fiz alguns amigos e falei que queria conhecer mais sobre o Islamismo, então eles me levaram até uma mesquita para orar junto com eles, o líder da mesquita fez eu repetir algumas palavras e quando eu percebi eles estavam me convertendo, foi uma experiência de conhecer diferentes tradições religiosas ou místicas, que era um dos meus objetivos dessa viagem. Tive contato com a cultura hindu, judaica, jainismo, budista com as tradições Islâmicas, enfim essa foi uma das coisas que motivaram essa viagem, a questão da espiritualidade. A partir das visões das outras tradições percebi que são como diferentes rios que levam para o mesmo oceano. Foi uma viagem de volta ao mundo, mas também uma viagem que me ensinou muito sobre mim.”

Caverna

Entre as experiências incríveis durante os 8 meses de viagem, André destacou o fato de ter morado em uma caverna e compartilhou através de um vídeo (abaixo) em seu perfil no facebook.

Segundo ele, “o relacionamento com o outro é interessante para desenvolver nossas virtudes; a compaixão, generosidade o amor. O isolamento é muito interessante porque você não tem mais como se enganar. Foi por esse objetivo que eu fui para a caverna e para viver a falha também porque alguns dos nossos maiores medos nessa vida são: a solidão, a ausência de recursos materiais. Então pensei, vou viver o medo e se eu descobrir que nessas condições, sozinho, sem conforto e sem recursos materiais sou capaz de ser feliz, então posso ser feliz em qualquer condição.”

 

André conta que a viagem proporcionou muito aprendizado. “Foi uma viagem de volta ao mundo, mas também uma viagem dentro de mim mesmo. Descobri muitas coisas sobre mim, minha resistência, resiliência, sobre o que é desejo, o que é necessidade. Quando decidi, deixei tudo para trás, vendi minha empresa, deixei a minha, vendi meu carro, foi um momento de muita entrega. Antes mesmo de eu decidir viajar eu senti que deveria me entregar e aceitar, seja lá o que a vida trouxe nesse ano, eu só senti que ia ser algo muito grande. ”

 

 

 

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