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Organização criminosa é desarticulada no Sudoeste

por Evandro Carlos Artuzzi em 1 de outubro de 2018 13:56
por Evandro Carlos Artuzzi em 1 de outubro de 2018 13:56

Mais de 60 Policiais Civis e Militares desarticularam nesta segunda feira, 01, uma perigosa associação criminosa suspeita de cometer pelo menos 15 roubos nos últimos meses.  A operação “muchachos”, como foi denominada, cumpriu 11 mandados judiciais expedidos pelo Poder Judiciário da Comarca de Salto do Lontra, sendo 6 de Prisão Preventiva e outros 5 de buscas domiciliares.

As diligências ocorreram de forma simultânea e sincronizada nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nas cidades de Barracão, Chopinzinho, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Santo Antônio do Sudoeste, São Lourenço do Oeste e São Leopoldo.

Num dos crimes, em plena luz do dia, ao estilo “novo cangaço”, a quadrilha cometeu roubo na agência Cooperativa Cresol na cidade de Nova Esperança do Sudoeste no dia 15 de maio de 2018. Além do que, no mês seguinte, 28 de junho, a associação criminosa voltou a atacar a mesma cooperativa, agora com a utilização de explosivos tentando abrir o cofre da agência.

O grupo é suspeito de cometer outros roubos a residências e de veículos na região, alguns deles levando as vítimas como reféns para servirem como “escudos humanos” num eventual confronto com as forças de segurança, crimes estes ocorridos em diversas cidades, como no interior de Francisco Beltrão, Guarapuava, Chopinzinho, Pinhão, Reserva do Iguaçu, Barracão, Santo Antônio do Sudoeste e Pranchita.

Segundo as investigações, tudo começou em meados de março de 2018, quando Elves Leandro Doardo, 26 anos, Valderi Luis Ferreira do Santos, vulgo “Urso”, 27 anos, e Edson Neves de Lima, vulgo “Kauan”, 24 anos, que até então estavam presos na Penitência Estadual de Francisco Beltrão, de onde empreenderam fuga, a partir de então, associaram-se para o fim especifico de cometerem crimes, com Daniel Souza de Quadros, vulgo “Preto”, 31 anos e Elio Nicolas dos Santos, cidadão de nacionalidade Argentina.

A associação também contava com o apoio logístico de Iliane Vieira Inácio, esposa de Valderi, suspeita de esconder e transportar parte das armas. Ela ainda emprestava seu veículo particular para o bando, além de permitir que se escondessem em sua residência após os roubos.

De acordo com a Polícia, a quadrilha, fortemente armada, costumava agir com grave ameaça e extrema violência, rendiam as vítimas e delas subtraiam dinheiro, joias, veículos e eletrônicos, mas a preferência era agir contra instituições financeiras e o roubo de camionetes de luxo, estas destinadas a Argentina.

Um grande arsenal de armas de fogo e munições foram apreendidas, como pistolas 9mm, rifles, espingardas diversas, revolver calibre .38, coletes balísticos, munições de calibres .22, .44, .38, 9mm, 7,62, um fuzil Mauser calibre 308 equipado com luneta, aumentando assim seu poder de precisão e uma submetralhadora INA, calibre .45 que é capaz de disparar mais de 600 tiros por minuto, além de cerca de 1kg de emulsão explosiva e 5 (metros) de cordel detonante, material este utilizado para arrombar cofres e caixas eletrônicos.

A Polícia cumpriu os mandados de prisão expedidos pelo Poder Judiciário contra Daniel, Valderi, Edson e Nicolas.
O indivíduo Elves Leandro Doardo, já havia sido preso no início do mês de setembro na cidade de Guarapuava, mas acabou novamente empreendendo fuga no último dia 24, e Iliane Vieira Inácio até o momento não foi localizada, sendo ambos considerados como foragidos da justiça.

O Delegado Sandro Spadotto Barros, que preside os Inquéritos Policiais, enalteceu o trabalho da força tarefa composta por policiais civis e militares da região: “nossos policiais civis e militares se dedicaram ao extremo na coleta de evidências de provas e na identificação dos suspeitos, um trabalho de excelência, um duro golpe contra a criminalidade”.

O Comandante do 21° BPM, Major Edson Cechinel, disse que a operação foi um sucesso. “Mostramos mais uma vez que a parceria entre as forças de segurança é o caminho a ser seguido, lado a lado com a Policia Civil desarticulamos mais essa perigosa quadrilha, a qual estava aterrorizando a população das nossas pequenas cidades, levavam o medo, a destruição, e agora com a prisão desses indivíduos, restabelecemos a ordem que vinha sendo violada”.
“Essa operação teve o apoio de muita gente, de diversas forças policiais e órgãos da justiça, contamos com o fundamental apoio do Ministério Público e Poder Judiciário de Salto do Lontra, da Polícia Civil de diversas cidades e de colegas do 3° Batalhão de Pato Branco, 16° Batalhão de Guarapuava, BPFRON, Polícia Federal e da Polícia Militar de Santa Catarina, integração essa capaz de promover estes excelentes resultados que estamos aqui hoje a divulgar” complementou.

A “Operação Muchachos” foi assim denominada devido a relação da quadrilha com membros da Argentina, pois de acordo com as investigações o país vizinho era o destino final das camionetes roubadas, bem como local onde estes também ficavam escondidos após cometerem os crimes nas cidades brasileiras que fazem fronteira, além do fato de que “Muchachos” em espanhol significa “Rapazes” e era assim que os integrantes da quadrilha eram denominados pelo integrante argentino.

Em entrevista à Extra FM, o delegado da comarca de Salto do Lontra, Sandro Spadotto Barros, comentou sobre a investigação e deflagração da operação. Segundo ele, o trabalho da polícia teve início a partir dos assaltos cometidos na agência da Cooperativa Cresol, de Nova Esperança do Sudoeste.

Ouça a entrevista, na íntegra…

Fotos: Divulgação polícia

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