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O crescente índice de suicídios

por Ivan Cezar Fochzato em 18 de junho de 2018 10:39
por Ivan Cezar Fochzato em 18 de junho de 2018 10:39

Todos os dias, em média 30 pessoas tiram suas vidas no Brasil. A cada período entre 30 e 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo e, no Brasil, isso ocorre a cada 45 minutos. Os cálculos são do Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde, que apontam que o ato envolve vários fatores socioculturais, genéticos, psicodinâmicos, filosófico-existenciais e ambientais.

Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr), informa que o Brasil é o oitavo país no mundo em número de suicídios. Até 2020, haverá um incremento de até 50% no número anual de mortes. No mundo, 1,3 milhão de jovens morrem por conta de causas evitáveis ou tratáveis: os acidentes de trânsito (11,6%) e o suicídio (7,3%).

O suicídio é atualmente uma das três principais causas de morte entre os jovens e adultos de 15 a 34 anos, embora a maioria dos casos aconteça entre pessoas de mais de 60 anos. A média de suicídios aumentou 60% nos últimos 50 anos, em particular nos países em desenvolvimento.A taxa no Brasil é de 5,6 casos a cada 100 mil habitantes e no Paraná, 6,5 incidências por 100 mil.

Em Palmas, sul paranaense, a incidência em 2016 chegou a 16,32 e em 2017, 8,1 por cem mi mil habitantes. Em 2018, são cinco óbitos, dois de adolescentes, um jovem e dois adultos. Em 2017, foram quatro mortes e 08 em 2016. Entre 2016 e 2017, 107 pessoas tentaram suicídio com uso de produtos externo, tais como: medicamentos, agrotóxicos e outros produtos químicos . A maioria dos casos (101) no perímetro urbano.

DOENÇA SOCIAL

Em análise sociológica/filosófica sobre a questão ao RBJ/Rádio Club, o Padre Evandro Mello, da Paróquia da Catedral do Senhor Bom Jesus, com Doutorado na abordagem da Bioética Teológica e ressalta que se observa atualmente é uma falta de sentido à vida, onde a sociedade se atém apenas aos meios. Ressaltou que desde a Idade Médio, os movimentos do Renascimento e Iluminismo substituíram a crença/fé pela razão. No pós II 2ª Guerra Mundial, principalmente a sociedade ocidental,  deixou viver pela razão e apenas emotivamente, subjetivamente.

Exemplifica que neste tempo predominam frases como o “amanhã é hoje”, “faças tudo o que quiseres”, “você é livre para escolher”. A perda de sentido é gerada por uma doença social, que desencadeia um processo de suicídio. Em outra perspectiva,  a sociedade precisa entender a diferença entre alegrias e tristezas, que são os momentos que o ser humano vivencia durante a sua existência. Isso não quer dizer que seja feliz ou infeliz. “A busca da felicidade é algo profundo que tem a ver com fins, sentidos para a existência”, disse ele. Esta doença social, da falta de um sentido, é que reflete no crescente registros de suicídios.

A Coordenadora do Centro de Atendimento Psicossocial(CPAS), Karine Tobera recomendou que as pessoas não tenham receio de buscar ajuda. Inicialmente pode ser nas Unidades Básicas de Saúde ou no diretamente no Centro. Após o acolhimento das pessoas com depressão, esquizofrenia, álcool, drogas ou outro quadro é realizado o tratamento localmente ou são encaminhadas, caso queiram,  ao internamento. “Para que tudo isso aconteça, primeiro, é preciso aceitar buscar ajuda  seja qual for o quadro” disse ela.

Outro ponto de auxílio, é o CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias. ACESSE

As pessoas podem tentar ou cometer suicídio por diversos motivos:

  • Se livrarem de uma situação de extrema aflição, para a qual acham que não há solução.
  • estarem num estado psicótico, isto é, fora da realidade
  • se acharem perseguidas, sem alternativa de fuga
  • se acharem deprimidas, achando que a vida não vale a pena
  • por terem uma doença física incurável e se acharem desesperançados com sua situação
  • por serem portadores de um transtorno de personalidade e atentarem contra a vida num impulso de raiva ou para chamar a atenção.

Indicadores de risco[
Tentativa anterior ou fantasias de suicídio,
Disponibilidade de meios para o suicídio,
Ideias de suicídio abertamente faladas,
Preparação de um testamento,
Luto pela perda de alguém próximo,
História de suicídio na família,
Pessimismo ou falta de esperança, entre outras.

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