A história do Luís e os seis filhos que sobrevivem com R$ 280,00 por mês

por Francione Pruch em 30 de outubro de 2017 7:48
por Francione Pruch em 30 de outubro de 2017 7:48

Casa onda mora a família de Luís / Foto: Francione Pruch

Casa onda mora a família de Luís / Foto: Francione Pruch

As chuvas da primavera fazem que a entrada da pequena casa de madeira, localizada nas proximidades da PR 483, em Francisco Beltrão, fique cheia de barro. Lugar simples, mas contagiado pela união, amor e dedicação de cada integrante da família. Na casa mora o Luís Carlos Rocha Vagner, 36 anos, junto com os seis filhos, sendo um menino e cinco meninas.

Há um ano, a história dessa família tomou caminhos diferentes. A mãe abandonou o marido e filhos. Sem ter alguém para cuidar das crianças, Vagner que trabalhava como ajudante de pedreiro deixou o serviço, desde então se dedica a cuidar das crianças. “Isso é complicado, fiquei sozinho com eles e chegou nessa situação”, comenta Vagner.

Sem trabalho, o único dinheiro que tem por mês são os R$ 280,00 provenientes do Bolsa Família. Sete integrantes para pouco recurso, essa situação se intensificou muito nos últimos seis meses, quando nem alimentos tinham na mesa de casa. “No começo a gente passou fome. Somente depois que procurei a assistência social e conseguir alguma coisa”, diz o pai, sentado no sofá que fica na área da casa.

Luís e o seis filhos / Foto: Francione Pruch

Luís e o seis filhos / Foto: Francione Pruch

A Gisele Vagner tem 12 anos, é a mais velha e com isso já tem responsabilidades de gente grande, ajudar na organização da casa e cuidar dos irmãos mais novos. “Eu cuido bastante deles, ajudo a se arrumarem para ir à escola, dar banho neles e fazer comida”, relata Gisele ao contar um pouco da realidade vivida com os outros irmãos, o Felipe (11 anos), as gêmeas Évelim e Andressa (7 anos), Jeniffer (5 anos) e Thaís de 3 anos.

Os pais de Luís moram no interior, na Comunidade de Santa Bárbara. Quando ele precisa ir à cidade, são os avós que ficam com as crianças, mas devido à idade avança, nem sempre eles têm condições de cuidar.

A mãe dos pequeninos, desde que foi embora para Santa Catarina, nunca entrou em contato e Vagner, o qual não quer receber pensão dela. “Não quero. A partir do momento que pegar uma pensão, a mulher vai voltar. Já fiz mais de 20 denúncias dizendo que ela não cuidava das crianças. Se não cuidou antes, não vai cuidar agora”.

Família unida / Foto: Francione Pruch

Família unida / Foto: Francione Pruch

Mesmo com a situação triste, o otimismo toma conta da família que se mantém unida e sabe dos desafios a serem superados. “Meio complicada, mas tem que lutar”, diz a jovem Gisele.

A situação de vulnerabilidade social da foi relatada há uma semana pelo Jornal de Beltrão. Desde então, empresários, entidades e população em geral têm colaborado com a doação de alimentos, roupas, calçadas e outras ações para colaborar com a família.

“Muito obrigado, que deus abençoe todo mundo. Quem está me ajudando agora que tenha tudo em dobro”, diz Vagner agradecendo as pessoas que tem ajudado ele e as crianças.

A família recebeu a visita do departamento de assistência social e foi cadastrada nos demais programas assistenciais. Todos os meses cestas básicas de alimentos serão encaminhadas.

Dentre as doações necessárias, a população pode colaborar com materiais de construção. A casa de madeira está danificada, o telhado e as paredes com muitos buracos.

 

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