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Dia para a Erradicação da Pobreza. Em Palmas atinge 45% da população

por Ivan Cezar Fochzato em 17 de outubro de 2018 9:47
por Ivan Cezar Fochzato em 17 de outubro de 2018 9:47

Hoje é o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A data tem como objetivo alertar a população para a necessidade de defender o direito humano de viver uma vida confortável e conscientizar as sociedades e os governos sobre o elevado número de pessoas vivendo em extrema pobreza, expostos à miséria, fome crônica e violência. O tema deste ano é“Junto aos mais distantesconstruir um mundo inclusivo de respeito universal dos direitos humanos e a dignidade”.

Foto na periferia de Palmas.ArquivoRBJ/Miranda

Ao tratar do assunto, normalmente, recorremos a países africanos que nos são apresentados como símbolos negativos da vigência da pobreza. Entretanto, à nossa volta tão semelhante realidade pode ser presenciada em alta escala. Em Palmas, Sul/Sudoeste do Paraná, 45% da população  está abaixo da linha pobreza.

Estudo do Banco Mundial aponta que 22% da população brasileira vive abaixo da linha da pobreza. A instituição adotou uma nova métrica para o cálculo, colocando 45,5 milhões de brasileiros nessa faixa. Os dados são referentes ao ano de 2015. Dentro desse cenário, quase a metade da população do município vive com menos de US$ 5,50 por dia, que corresponde hoje(17/10) a pouco mais de R$ 20,00.

Levantamento pelo Setor de Estatística do Departamento de Jornalismo da Rádio Club, com base nos parâmetros do Banco Mundial, 5,9 mil  palmenses apresentavam renda mensal de R$ 0,00 a R$ 77,00 (menos de R$ 2,56 por dia). Outras 7,7 mil tinham renda entre R$ 77,01 e R$ 154,00 (menos de R$ 5,13 por dia). Outra parcela da população, 8 mil, afirmava em seu cadastro ter renda mensal entre R$ 154,01 e meio salário mínimo. O levantamento foi realizado no final de 2017. Trazendo para os valores de 2018, constata-se que mais de 21 mil palmenses vivem com menos de meio salário mínimo(R$ 477,00) o que representa valor inferior a R$ 15,90 ao dia.

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A data foi comemorada oficialmente pela primeira vez em 1992, com o objetivo de alertar a população para a necessidade de defender um direito básico do ser humano. Antes, a 17 de outubro de 1987, Joseph Wresinski, o fundador do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo, convidou pessoas a se reunirem em honra das vítimas da fome e da pobreza em Paris, no local onde tinha sido assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ao seu apelo responderam cem mil pessoas.

A erradicação da pobreza e da fome é um dos oito objetivos de desenvolvimento do milênio, definidos no ano de 2000 por 193 países membros das Nações Unidas e por várias organizações internacionais.

Segundo o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres,  em todo o mundo, uma média de 24 milhões de pessoas são empurradas para a pobreza, a cada ano, pelos desastres. Pobreza, urbanização acelerada, governança frágil, a deterioração dos ecossistemas e as mudanças climáticas estão acentuando o risco de desastres. Para diminuir a desigualdade mundial, a erradicação da Pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares é o primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A meta estabelece que:

  • Até 2030, a pobreza extrema seja erradicada para todas as pessoas em todos os lugares.
  • Até 2030, reduzir pelo menos à metade a proporção de homens, mulheres e crianças, de todas as idades, que vivem na pobreza, em todas as suas dimensões, de acordo com as definições nacionais.
  • Implementar, em nível nacional, medidas e sistemas de proteção social adequados, para todos, incluindo pisos, e até 2030 atingir a cobertura substancial dos pobres e vulneráveis
  • Garantir que todos os homens e mulheres, particularmente os pobres e vulneráveis, tenham direitos iguais aos recursos econômicos, bem como o acesso a serviços básicos, propriedade e controle sobre a terra e outras formas de propriedade, herança, recursos naturais, novas tecnologias apropriadas e serviços financeiros, incluindo microfinanças
  • Construir a resiliência dos pobres e daqueles em situação de vulnerabilidade, e reduzir a exposição e vulnerabilidade destes a eventos extremos relacionados com o clima e outros choques e desastres econômicos, sociais e ambientais
  • Garantir uma mobilização significativa de recursos a partir de uma variedade de fontes, inclusive por meio do reforço da cooperação para o desenvolvimento, para proporcionar meios adequados e previsíveis para que os países em desenvolvimento, em particular os países menos desenvolvidos, implementem programas e políticas para acabar com a pobreza em todas as suas dimensões
  • Criar marcos políticos sólidos em níveis nacional, regional e internacional, com base em estratégias de desenvolvimento a favor dos pobres e sensíveis a gênero, para apoiar investimentos acelerados nas ações de erradicação da pobreza

 

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