Dia do Índio: Kaingangs de Palmas homenageiam Kuiã que morreu aos 122 anos

por Ivan Cezar Fochzato em 19 de Abril de 2018 16:20
por Ivan Cezar Fochzato em 19 de Abril de 2018 16:20

O Kuiã(xamã) faleceu aos 122 anos de idade

A XIII Semana Cultural, realizada na Terra Indígena de Palmas, sul do Paraná, para comemorar o Dia do Índio, neste dia 19 de Abril, neste ano, presta homenagem ao Kuiã, João Maria dos Santos, falecido há seis anos aos 122 anos de idade. Os xamãs, que outras etnias são também chamados de Pajé, demonstram um profundo conhecimento e experimentam estreita relação com a natureza e a cultura. A XII Semana Cultural iniciou no dia 17 e vai até 21 de Abril no Salão da Comunidade. O evento é organizado pelos professores e alunos da Escola Estadual Indígena Segso Thán Sá(Gralha Azul).

Conforme contaram ao RBJ os professores bilíngue Claudecir Viri, atual vice-cacique e Albino Viri,  pouco antes de morrer, o kuiã João Maria conduziu cinco indígenas à mata para que então os espíritos da natureza lhe indicassem quem seria seu sucessor, sendo então apontada, Maria Romana Alves Andre, atualmente com 64 anos.

Dona Romana foi escolhida pelo Kuiã João Maria para receber os ensinamentos da cultura Kaingang da Terra Indígena de Palmas. Foto: Miranda/RBJ

Viri, vice-cacique

Contaram ainda que além da cura de doenças cabe ao Kuiã cuidar da dimensão espiritual da tribo, pois, conforme contexto cultural que se difunde entre os seus membros, estes tem a capacidade de antever fenômenos que atingirão algum membro e até mesmo comunidade inteira. “ Além dela,  há vários outros índios da comunidade, principalmente os mais velhos que conhecem sobre os remédios de cura, mas a Dona Maria Romana, que tem o conhecimento espiritual do nosso povo”, contou Viri.

“ Eu era afilhada dele e o meu padrinho disse que meu coração era bom e me chamou pra me entregar”, contou a nova Kuiã, acrescentando que a comunidade lhe procura muito para que faça as rezas e para buscar remédios. “Conforme a doença eu faço o remédio e eles vem pegar. Eu gosto de fazer isso”, contou à reportagem.

Segundo o estudioso do xamanismo kaingang, Robert Crépeau, o poder do kuiã é adquirido através dos companheiros ou guias animais. Embora não restrita ao domínio da cura, esta é uma de suas principais atribuições. São também os ‘companheiros’ animais que ensinam aos kuiã o tratamento com os ‘remédios do mato’. Este conhecimento não está limitado à atuação do kuiã; muitos conhecem os ‘remédios do mato’. A condição fundamental para que as plantas sejam consideradas ‘remédio do mato’ é estar no mato-virgem – os ‘remédios do mato’ não podem ser cultivados, estar no mato é condição para que a planta mantenha sua força, e o remédio produzido, sua eficácia.

 

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