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Depois das Eleições!

por Ivan Cezar Fochzato em 27 de outubro de 2018 8:00
por Ivan Cezar Fochzato em 27 de outubro de 2018 8:00

Nesta semana, o  Bispo de Palmas-Francisco Beltrão, manifestou preocupações com o processo eleitoral de 2018 .  Dom Edgar Xavier Ertl,  recomendou reflexão criteriosa para o voto e que a escolha não seja pautada pela simples opção em ser contra ou a favor.

Além disso, a preocupação para com o pós eleições e início do próximo governo também foi a temática de sua reflexão semanal.  Seguindo a manifestação da CNBB  e preocupação com o acirramento da polarização, sobretudo a intolerância entre candidatos e eleitores disse que ” o bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social”.

Depois das Eleições!

Neste domingo, 28 de outubro de 2018, teremos as eleições em segundo turno. No Estado do Paraná somente para Presidente da República. A Cartilha de Orientação Política, produzida pelo Regional Sul II, da CNBB, do Paraná, e distribuída para todo o Brasil, procurou com maestria orientar os Cristãos sobres as eleições de 2018, sob a reflexão do texto paulino “alegres por causa da esperança” (cf. Rm 12,12), e, ao tratar da corresponsabilidade pelo brasil, propõe-nos alguns passos para o “depois das eleições”.

O Ano Nacional do Laicato desafia os fiéis leigos/as a não ficarem indiferentes ao universo da política (cf. Documento da CNBB 105, n. 263). Por isso, é necessário:

ESTIMULAR a participação dos cristãos leigos e leigas na política.

IMPULSIONAR os cristãos a construir mecanismos de participação popular.

INCENTIVAR e preparar os cristãos leigos e leigas a participar de partidos políticos e serem candidatos para o Executivo e Legislativo.

MOSTRAR aos membros das comunidades e à população em geral, que há várias maneiras de tomar parte na política: nosso Conselhos Paritários de Políticas Públicas, nos Movimentos Sociais e nos Conselhos de Escola e também em eventuais coletas de assinaturas.

ANIMAR e incentivar a criação de Escolas de Fé e Política nas Dioceses e Regionais da CNBB.

ACOMPANHAR os que exercem mandatos políticos no Executivo e no Legislativo; os que estão no Judiciário e no Ministério Público e também os que participam de Conselhos Paritários de Políticas Públicas, a fim de que exerçam, nesses âmbitos, a sua missão profética, promovendo reuniões, encontros, momentos de oração e reflexão.

A Igreja, desde o Concílio Vaticano II (1962-1965), convocado por São João XXIII, orienta: “Os católicos versados em política e devidamente firmes na fé e na doutrina cristão não recusem cargos públicos, se puderem por uma digna administração prover o bem comum e ao mesmo tempo abrir caminho para o Evangelho” (Decreto Apostolicam Actuositatem, n. 14).

Do Papa Francisco os leigos/as católicos pede-lhes acercada da política: “É necessário que os leigos católicos não permaneçam indiferentes à vida pública nem fechados em seus templos, nem sequer esperem as diretrizes e as recomendações eclesiais para lutar a favor da justiça e de formas de vida mais humanas para todos (Aos políticos latino-americanos, 1-3 de dezembro de 2017).

Também os papas João Paulo II e Bento XVI escreveram sobre a participação dos leigos/as católicos/as na política. Do papa polonês lemos: “Os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política destinada a promover o bem comum”. Já o papa alemão assevera que “o leigo cristão é chamado a assumir diretamente a sua responsabilidade política e social. Não é missão própria da Igreja tomar nas suas mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível, todavia ela não ficar à margem da luta pela justiça. Dirijo, pois, um apelo a todos os fiéis para que se tornem realmente obreiros da paz e da justiça”.

Durante a Assembleia Geral dos Bispos, em abril de 2016, em Aparecida/SP, os Bispos do Brasil, manifestaram-se preocupados com o acirramento da polarização, sobretudo a intolerância entre candidatos e eleitores das eleições previstas para 2018: “O bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social”. Atitudes fanáticas não nos levam a lugar nenhum. Pelo contrário, distanciam-nos, segrega-nos. Saber dialogar pacificamente com quem pensa diferente é a arte do bom e saudável relacionamento. Sejamos artesãs da arte do diálogo e da convivência harmoniosa, mesmo com quem pensa diferente. As eleições passam!

Dom Edgar Ertl

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