Cristãos devem se dedicar aos problemas sociais, diz Dom Edgar

por Ivan Cezar Fochzato em 21 de setembro de 2018 16:29
por Ivan Cezar Fochzato em 21 de setembro de 2018 16:29

“Dedicar atenção aos problemas sociais faz parte desde o início do Ensino Social da Igreja e da sua concepção do homem e da vida social e, especialmente, da moral social”. A conceituação foi feita, nesta semana, pelo Bispo de Palmas/Francisco Beltrão em sua mensagem semanal à imprensa.

“São os problemas sociais, políticos e econômicos que constituem o objeto preferencial das encíclicas pontificais”, explica Dom Edgar

Dom Edgar Xavier Ertl,  transcreve e reflete sobre a trajetória, presença e ações da Igreja, para além da dimensão religiosa. A proposta da  Doutrina Social é dar sustento e animar a ação dos cristãos em campo social, especialmente os fiéis leigos.

Conceitua que por Doutrina Social deve-se entender o conjunto de ensinamentos sobre os problemas de ordem social através de cartas, pronunciamentos, encíclicas e outros documentos. ” Compêndio da Doutrina Social, que reúne diversas Encíclicas Sociais pelo Papa,  tem o objetivo principal de transformar a realidade social”, destaca.

Primeira Encíclica Social

No dia 15 de maio de 1891, o Papa Leão XIII (1878-1903) publicou a primeira Encíclica Social da Igreja Católica a Rerum Novarum” = “coisas novas”, que surgiu no contexto da Revolução Industrial. São 127 anos que a Igreja sistematizou o que mais tarde convencionou-se chamar de Doutrina Social da Igreja. Entende-se por “Doutrina Social da Igreja” o conjunto ou “corpus” de ensinamentos que a Igreja possui sobre os problemas de ordem social através de cartas, pronunciamentos, encíclicas e outros documentos.

O queremos dizer que não há uniformidade na denominação ou nome que se dá ao corpo de doutrina social da Igreja. Leão XIII fala de “doutrinas” tiradas do Evangelho pela Igreja, e de “filosofia cristã”; Pio XI fala de “Filosofia social” e de “Doutrina em matéria social e econômica”; Pio XII faz uso explícito das expressões “Doutrina social da Igreja” ou doutrina social católica; João XXIII também fala de “doutrina social”; Paulo VI preferiu sempre falar de “Ensinamento Social”, ou “Ensinamentos sociais da Igreja”.  São João Paulo II também usa a expressão “Doutrina Social da Igreja”.

A doutrina Social da Igreja objetiva ainda dar sustento e animar a ação dos cristãos em campo social, especialmente os fiéis leigos, dos quais este âmbito lhe é próprio; toda a sua vida deve qualificar-se como uma fecunda obra evangelizadora, e deve fazê-la em nome de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Lc 5,5).

Interessante também definirmos o que é uma “Encíclica”. Algo circular. Já no sentido religioso é uma Carta circular pontifícia. Este tipo de documento, de caráter oficial, tem alcance universal, normalmente em razão tanto de seu conteúdo como de seus destinatários. São os problemas sociais, políticos e econômicos que constituem o objeto preferencial das encíclicas pontificais, que fazem parte do magistério ordinário da Igreja. O primeiro documento que leva o título de encíclica é a Viz pervenit, de Bento XIV, em 1745, sobre os empréstimos a juros.

O teólogo Ildefonso Camacho diz que o papa Leão XIII é a “figura representativa da Doutrina Social da Igreja e este documento passou para a posteridade como referência desta doutrina social. De fato, decorrido mais de um século da data da sua publicação, são contínuas as referências feitas a ela: além do mais, a encíclica em questão é sempre considerada como um documento que assinala um marco na história. No entanto, essa data tem um valor apenas indicativo (…). Por isso, mais do que fixar o começo em um ano concreto ou um documento determinado, parece-nos preferível considerar Leão XIII, forma geral, como o iniciador da Doutrina Social da Igreja (Doutrina Social da Igreja. São Paulo: Loyola, 1995. p. 11-12).

O Compêndio da Doutrina Social descreve  o objetivo principal das Encíclicas Sociais: “Transformar a realidade social com a força do Evangelho, testemunhada por mulheres e homens fiéis a Jesus Cristo, sempre foi um desafio e, e no início do terceiro milênio da era cristã, ainda o é. O anúncio de Jesus Cristo, ‘boa-nova’ de salvação, de amor, de justiça e de paz, não é facilmente acolhido no mundo de hoje, ainda devastado por guerras, misérias e injustiças; justamente por isso o homem do nosso tempo mais do que nunca necessita do Evangelho: da fé que salva, da esperança que ilumina, da caridade que ama” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja. São Paulo: Paulinas, 2005. p. 13).

São João Paulo II, para comemorar os 90 anos da Rerum Novarum (1991) escreveu a Encíclica Laborem Exercens sobre o trabalho humano afirmando que “a doutrina social da Igreja, efetivamente, tem sua fonte na Sagrada Escritura, a começar do Livro do Gênesis e, em particular, no Evangelho e nos escritos dos tempos apostólicos. Dedicar atenção aos problemas sociais faz parte desde o início do Ensino Social da Igreja e da sua concepção do homem e da vida social e, especialmente, da moral social que foi sendo elaborada segundo as necessidades das diversas épocas” (n. 3).

Dom Edgar Ertl

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