Complexo Palmas II utilizará correntes eólicas aos 140 metros de altura

por Ivan Cezar Fochzato em 9 de Janeiro de 2019 16:20
por Ivan Cezar Fochzato em 9 de Janeiro de 2019 16:20

Difícil passar pela região do Horizonte, nos Campos de Palmas, e não perceber e até mesmo se impressionar com a presença  majestosas torres para geração de energia eólica. Entretanto, muito mais imponentes serão as novas unidades do Complexo Eólico Palmas II, que captarão as correntes aos 140 metros, podendo chegar aos 160 metros de altura. A elevação é fundamental para aumentar a capacidade de geração.

A maioria das torres nos Campos de Palmas possuem 100 metros de altura.

Atualmente no lado paranaense as torres da Palmas I da Copel, tem pouco mais de 40 metros.  No outro lado da PRc 280, em território catarinense, município de Agua Doce, os aerogeradores estão a aproximadamente 100 metros de altura.

De acordo com o engenheiro e presidente da empresa empreendedora(Enerbios/Enercons), Ivo Pugnaloni, a Palmas I obtém resultados satisfatórios há 20 anos, mas tem torres de 47 metros, consideradas muito baixas e limitadoras da capacidade de geração. “É uma jazida de vento em desenvolvimento que foi subestimada devido à baixa altura das torres instaladas até aqui. É uma região de 1.250 metros acima do nível do mar.

Informou que no Palmas II, o rotor deve ter 140 metros no Parque Tradição Piloto, mas pode chegar a 160 metros em outras unidades, alcançando fatores de capacidade similares ao Nordeste. Explica que quando empreendimentos são instalados em platôs no interior do continente, como será em Palmas,  a elevação é essencial para conseguir uniformidade dos ventos e ampliar a geração. “Experiências em outros parques demonstram que diferenças de 20, 30, 40 metros podem aumentar a produção em mais de 20%”, destaca.

O novo complexo já recebeu autorização prévia para iniciar a fase de licenciamento pelo Instituto Ambiental do Paraná(IAP). Composto por oito usinas em 16 mil hectares, o novo parque terá potência projetada para cerca de 160 Megawatts, 64 vezes superior à pioneira de Palmas, que está em operação desde 1999 e gera 2.5 Megawatts, com cinco torres.

A escolha da área para a instalação do novo empreendimento considerou a análise de estudos oficiais como os Atlas Eólicos do Estado do Paraná e do Brasil, além de medições próprias que começaram a ser realizadas em 2009 pela empresa alemã associada a Enerbios Consultoria em Energias Renováveis e Meio Ambiente, a alemã, InnoVent.

Segundo o presidente da Enerbios, o cronograma para o novo complexo prevê as instalações iniciais entre maio e junho de 2019 e a expectativa é para o início da completa operação comercial em janeiro de 2023. A energia gerada deve ser oferecida no mercado livre ou de curto prazo.

Além de apostar na altura, Palmas II tem ainda a vantagem de proximidade com a chamada rede básica de transmissão do Sistema Interligado Nacional. Distante apenas 30 quilômetros de uma subestação da Copel, o complexo pode levar vantagem quando o assunto é perda de energia em oposição ao que acontece com os parques eólicos do Nordeste, com distâncias que ultrapassam os três mil quilômetros.

Para conseguir o licenciamento definitivo, o Complexo Eólico Palmas II terá que atender a 29 condicionantes previstas na Licença Ambiental Prévia, consideradas adequadas pela empresa, que não acredita em dificuldades para o atendimento das exigências do IAP.

Localizada no município de Palmas, divisa com o estado de Santa Catarina, a área arrendada de 50 produtores rurais será aproveitada também para a manutenção, em paralelo, de práticas agrícolas como lavoura, pastagem e reflorestamento. Com a emissão da autorização inicial, ficam proibidas construções, terraplanagem ou desmatamento no local.

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