Professor Marcos Bagno visita redação do RBJ e fala sobre linguística e sociedade

por Guilherme Zimermann em 23 de Abril de 2018 13:21
por Guilherme Zimermann em 23 de Abril de 2018 13:21

O Campus Palmas do Instituto Federal do Paraná (IFPR) promoveu na última sexta-feira (23) a Aula Magna do curso de Licenciatura em Letras, o II Simpósio do G.E.Di (Grupo de Estudos do Discurso) e o lançamento oficial do curso de pós-graduação em Linguagens Híbridas e Educação.

Dentro de programação, a palestra “Educação Linguística & Formação Docente”, com o professor da Universidade de Brasília (UnB), Marcos Bagno. Graduado em Letras, com doutorado em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Bagno é especialista na área da sociolinguística.

Em visita à redação do RBJ.com.br, Bagno reforçou a necessidade de uma melhor formação dos professores na área de línguas, daí o tema da sua palestra. “Eu vim falar sobre os principais componentes para essa formação, principalmente no campo teórico”, explicou, destacando que a academia já conta com diversas experiências na prática pedagógica, mas ainda falta melhor fundamentação teórica.

Entre suas principais obras estão Gramática de bolso do português brasileiro (2013) e Preconceito linguístico: o que é, como se faz (1999), uma das principais referências para o estudo da sociolinguística, disciplina voltada à pesquisa das relações entre linguagem e sociedade. “Cada vez mais nós descobrimos que muitas que acontecem na língua e as transformações que ela sofre ao longo do tempo se devem às dinâmicas sociais”, aponta.

Sobre esse aspecto, Bagno compara as relações de linguagem entre localidades onde o desenvolvimento social é mais alto com regiões em que as condições sociais ainda são baixas. Analisa as cidades maiores apresentam uma dinâmica de comunicação, de cultura e de ensino muito mais forte do que cidades mais isoladas. “O que nós sabemos pelos estudos sociolinguísticos é que as regiões mais retiradas são mais conservadoras em termos de língua”, afirma, citando exemplos do sertão nordestino, que ainda guarda expressões dos séculos 16 e 17.

Nesse ponto, o estudioso também analisa a linguística da região Sul do Brasil, que, por ter recebido muitos imigrantes, tem sua linguagem influenciada por traços muito peculiares. “Por conta da necessidade que os imigrantes tiveram de aprender a língua, sem irem para a escola, eles acabaram transferindo traços das suas línguas originais. Por isso, as variedades linguísticas do Sul apresentam peculiaridades muito interessantes com relação às do restante do país”, considera.

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