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Estudo coloca Campus Palmas no novo Instituto Federal Paranaense

por Guilherme Zimermann em 25 de Abril de 2018 14:32
por Guilherme Zimermann em 25 de Abril de 2018 14:32

No último dia 09 de abril, em reunião realizada em Brasília, o Ministério da Educação (MEC) através da Setec (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica), apresentou à reitores e diretores dos Institutos Federais do país, um estudo preliminar de reordenamento de algumas unidades da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, entre elas o Instituto Federal do Paraná (IFPR). A proposta seria redistribuir alguns campi, criando novos Institutos Federais.

No caso do Paraná, o Instituto seria dividido em duas instituições – o Instituto Federal do Paraná, cujas unidades localizariam-se no leste, e o Instituto Federal Paranaense, composto pelas unidades a oeste, entre elas o Campus Palmas.

Segundo a Setec, “a criação de um novo IF no Paraná mostra-se essencial, devido as dimensões territoriais do estado e as grandes distâncias atuais do campi à Sede”, localizada em Curitiba. O órgão aponta, no entanto, que é preciso analisar o caso da mesorregião do Norte Pioneiro que, talvez, se adeque mais ao novo arranjo institucional.

Segundo a proposta, o Campus Palmas deixaria o IFPR e passaria a integrar o IF Paranaense

Na simulação realizada pela Setec, o Instituto Federal Paranaense teria a sua reitoria instalada em Londrina, mas, a secretaria reconhece que não representa a melhor proposta para a diminuição dos tempos de deslocamento e otimização dos recursos financeiros. Sendo assim, e até mesmo por influência política, a Setec afirma no estudo que, seria possível localizar a nova sede no Oeste do Paraná, tendo como sugestão a cidade de Cascavel.

De acordo com os cálculos do MEC, para a instalação de um novo Instituto Federal no Estado, com novos cargos e infraestrutura necessária para a nova reitoria, haveria um incremento de R$ 8,6 milhões no orçamento anual.

O reitor pro tempore do IFPR, Odacir Zanatta, manifestou-se contrariamente à proposta, “enquanto não houver estruturação dos campi existentes, pois há deficiências em infraestrutura e número de servidores”. Afirma que na proposição do MEC, não há qualquer acréscimo de pessoal, a não ser os previstos para uma segunda Reitoria. “Nossa luta é pela estruturação dos campi do IFPR, tanto com provimento de vagas em concursos quanto investimento em obras. Os Institutos Federais foram uma grande conquista da população brasileira e precisamos fortalecer a Rede Federal, que é extremamente inclusiva. Nossa postura é de não avaliar mudanças enquanto não houver estruturação dos campi”, comentou Zanatta. “Além disso, trata-se de uma discussão que deve envolver toda a comunidade do IFPR e o Conselho Superior”, conclui.

O Conif (Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica) lançou nota, posicionando-se “contrário a interferências na atual distribuição dos campi, o que impactaria principalmente nas comunidades locais, e reivindica participação na construção de futuras propostas de crescimento da Rede Federal, desde que isso ocorra democraticamente e em momento propício, após a plena consolidação das instituições já implantadas, o que significa adequações de orçamento, infraestrutura e quadro de pessoal”.

Conforme o diretor do Campus Palmas do IFPR, Luciano Martignoni, em entrevista ao RBJ, o estudo apresentado foi elaborado de forma “fechada”, sem a participação das instituições envolvidas, o que despertou a contrariedade das reitorias.

Defende que, de fato, o Paraná necessita da criação de um novo Instituto Federal, dada a sua extensão territorial, mas com toda a estrutura para o seu funcionamento, com novos cargos e novos campi e o reordenamento de algumas unidades já existentes, e não simplesmente a divisão de uma instituição já instalada.

Informou que o Conif encaminhou ofício, com questionamentos ao MEC, que respondeu tratar-se “apenas de um eventual reordenamento e que nenhuma alteração nos IF’s será feita sem um amplo debate”.

Aponta que esse movimento para a reorganização do IFPR tem uma forte conotação política, dada a proximidade do período eleitoral deste ano. “Muitos deputados estão buscando unidades do IF para suas bases, então há uma pressão política para que aconteçam alguns ajustes”, afirma, lançando até mesmo a ideia de que Palmas possa sediar uma reitoria do Instituto Federal, no caso de ocorrer a divisão da instituição. “É um pleito a ser feito, mas, nesse momento, é um pleito político. Se a comunidade, com seus representantes, considerar isso importante, tem que entrar nesse movimento político”, avalia. Ouça:

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