Diretor do IFPR Palmas contesta proposta do Banco Mundial sobre fim da gratuidade do ensino superior

por Guilherme Zimermann em 27 de novembro de 2017 12:41
por Guilherme Zimermann em 27 de novembro de 2017 12:41

Em relatório divulgado na última semana, o Banco Mundial, maior banco de desenvolvimento do mundo, apontou o fim da gratuidade do ensino superior no Brasil, como forma de economizar e contribuir para o equilíbrio das finanças do país.

A sugestão da instituição financeira é que o governo continue ofertando o ensino gratuito para os estudantes que estão entre os 40% mais pobres. Já os acadêmicos que tenham renda média e alta poderiam pagar, após formados. Durante a formação, esses alunos teriam à disposição financiamentos, como o Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).

A justificativa para a proposta, é que 65% dos estudantes de instituições federais estão entre os 40% mais ricos da população brasileira. Para os técnicos do Banco, como essas pessoas, após formadas, terão aumento de renda, “a gratuidade do ensino superior pode estar perpetuando a desigualdade no Brasil”.

Luciano

Para o diretor-geral do Campus Palmas do Instituto Federal do Paraná (IFPR), Luciano Martignoni, por se tratar de uma instituição financeira de desenvolvimento, a ótica em que o Banco Mundial se coloca para propor tal medida é apenas a do crescimento econômico.

Defende que a oferta de educação pública e de qualidade é um dever básico do estado, salientando que o ensino não é gratuito, mas sustentado pelos impostos pagos por toda a população. “A perspectiva de se acabar com isso, vem de políticas neoliberais, que preveem ações do gênero”, analisa. Ouça a entrevista abaixo:

Demonstra ainda preocupação quanto à proposta, ilustrando o caso de países, como os Estados Unidos da América, que realiza financiamento dos estudos, no modelo apresentado pelo Banco Mundial. “Os jovens que saem da universidade lá, ficam endividados por mais de 20 anos após a formação, uma dívida de mais de 200 mil dólares”, aponta, fazendo uma conexão com a realidade enfrentada pela população de Palmas. Como exemplo, Martignoni cita publicação do RBJ, que, seguindo metodologia do próprio Banco Mundial, aponta que 45% da população palmense está abaixo da linha da pobreza.

Lembra que nos últimos anos, o Brasil apresentou avanços significativos na oferta de educação superior, seja através de programas de bolsa de estudos e financiamentos estudantis, ou na expansão de instituições públicas. “Se nós partimos para a ideia de que se pague por essa educação, fatalmente estaremos cerceando uma boa parte da população do acesso à universidade”, aponta.

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