Sede santos!

por Luiz Carlos em 6 de novembro de 2017 7:18
por Luiz Carlos em 6 de novembro de 2017 7:18

Sede santos, porque eu sou santo, diz o Senhor” (1Pd 1,16).

Domingo, 05 de novembro de 2017, celebramos a festa de todos os santos e santas, transferida no Brasil, do dia 01 de novembro. Somos todos chamados pelo Senhor à santidade. Não é prerrogativa para alguns escolhidos ou eleitos. No entanto, precisamos distinguir santidade e perfeição. A procura desta última leva facilmente ao orgulho (cf. Lc 18,9-14). A santidade se consegue na medida em que nós nos abrimos à graça de Deus. Na medida em que deixamos Deus agir em nossa vida. É Ele que nos santifica, porque pelo batismo todos são chamados à santidade em Cristo, porque mergulhados na vida D’ele fomos.

Na festa de Todos os Santas e Santas, durante as celebrações litúrgicas da Igreja Católica, meditamos as Bem-aventuranças de Jesus Cristo, no chamado “Discurso da Montanha”, segundo Mateus 5, 3-12.  Certamente o texto das Bem-aventuranças é o texto do Novo Testamento que mais deve orientar nossa prática em busca da santidade. Jesus nos garante a felicidade vivendo-as como projeto de vida. Elas nos são apresentadas como caminho à felicidade, à santidade, à realização. Não existe seguimento de Jesus sem as Bem-aventuranças como meta e fim. Elas nos dão o norte da vida.  É a bússola para quem deseja, de fato, conhecer e viver o Evangelho de Cristo na sua radicalidade.

Vamos recordá-las para buscar nossa santidade e compromisso com atitudes concretas com o Reinado de Deus, como proposta de Jesus para os seguidores. Ei-las: Bem-aventurados os pobres em espírito; bem-aventurados os mansos; bem-aventurados os aflitos; bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça; bem-aventurados os misericordiosos; bem-aventurados os puros de coração; bem-aventurados os que promovem a paz e bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça.

Podemos pensar e refletir quem são os pobres que vivem no Sudoeste no Paraná, no território de nossa diocese? E os afligidos? Quem têm fome e sede de justiça? Que justiça queremos e pretendemos? E os misericordiosos, quem são? Onde vivem e como vivem? Quem são as pessoas sinceras que vivem a pureza da verdade, da transparência, da honestidade? E a tão desejada paz? A paz que Jesus fala é a paz messiânica, uma paz segundo a Escritura que tem sua fonte em Deus e não no silêncio das armas de guerras. É a concórdia entre os seres humanos. Conhecemos pessoas perseguidas por causa da justiça e da verdade, por serem justos de fato, e às vezes, são vítimas inocentes? Uma pergunta crucial, mas necessária. É possível ser santo e feliz num país tido e havido “como um dos mais injusto/corrupto do planeta”? Sim, é possível quando prevalecer sobre todos nós as Bem-aventuranças de Jesus como princípio e pauta da vida em todas as suas dimensões. Quando entendermos o que o Senhor espera de seus seguidores.

Que a prática da religião autêntica não somente cúltica, litúrgica e sacramental, mas um modo de vida, um modo de ser e proceder. O cristianismo é um acontecimento que mudou o percurso histórico do mundo. Esta é a verdade. Santidade passa pela nossa maneira de viver e agir, especialmente em sociedade e com responsabilidade. Ser santo neste mundo paradoxal. Eis o nosso grande objetivo, e naturalmente o grande desafio. Este é o itinerário que Jesus nos propõe à santidade, à felicidade e à verdadeira alegria.

Dom Edgar Ertl

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