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Santos pelo amor!

por Luiz Carlos em 1 de novembro de 2018 11:50
por Luiz Carlos em 1 de novembro de 2018 11:50

Dom Edgar Ertl

O que nos santifica é a vivência profunda e autêntica do amor. O Apóstolo Paulo, quando escreve aos cristãos de Éfeso, adverte-os “para que pelo amor fôssemos santo” (Ef 1,4), e não pela observação fria dos ritos, ou simplesmente no cumprimento de prescrições litúrgicas. Santificados pela expressão do amor gratuito e benevolente é o caminho de todos cristãos, ou seja, a santidade é amor de entranhas, de cumplicidade e comprometimento, porque toda a lei foi resumida no amor a Deus e ao próximo. Logo, a santidade é o desejo de Deus para àqueles que foram criados à sua imagem e semelhança e consagrados, pelo batismo, à vida de Jesus Cristo e seu Reinado. É o amor que santifica.

O Papa Francisco publicou, no início deste ano, a Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate” – “Alegrai-vos exultai” (cf. Mt 5,12) – sobre a chamada à santidade no mundo atual. A santidade não é uma prerrogativa para alguns escolhidos de Deus, tais como os bispos, sacerdotes, religiosas/os, pessoas dedicadas à oração, à contemplação. Francisco declina quem são os chamados à santidade: “Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais” (n. 14).

Na Igreja do Brasil estamos vivendo o Ano Nacional do Laicato, sob o título de “cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade”, guiados pela máxima de Jesus, no Sermão da Montanha, “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14).  E o Documento de Estudo da CNBB para o Ano do Laicato dedica três números ao tema da santidade. Vamos conhecê-los.

“Os cristãos leigos, homens e mulheres, são chamados, antes de tudo, à santidade. São interpelados a viver a santidade no mundo. Para isso, são instados pelo Espírito Santo a cultivar com solicitude a vida interior e a relação pessoal com Cristo, de modo que, iluminados pelo Espírito Santo, em todas as circunstâncias, tudo façam para a glória de Deus, a salvação do mundo e o bem de todos. A santidade de vida torna a Igreja atraente e convincente, pois os santos movem e abalam o mundo” (Doc. 105, n. 116).

No n. 117, o Documento revisita o Concílio Vaticano II, quando este afirma da “vocação universal à santidade”, que advém de Jesus Cristo, fonte de toda a santidade. Nele, todos são chamados a santidade, não havendo espaços para graus de santidade: como se alguns fossem chamados a maior e outros a menor perfeição, ou seja, a vida e atitudes de santidade. Em Cristo, todos somos santos! Os cristãos leigos e leigas se santificam de forma peculiar na sua inserção nas realidades temporais, na sua participação nas atividades terrenas. Santificam-se no cotidiano, na vida familiar, profissional e social. Os santos movem o mundo. O horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral é a santidade” (n. 118).

Que a prática da religião autêntica não somente cúltica, litúrgica e sacramental, mas um modo de vida, um modo de ser e proceder no dia a dia nos santifique. O evento Jesus Cristo é um acontecimento que mudou o percurso histórico do mundo. Esta é a verdade. Santidade, então, passa pela nossa maneira de viver e agir na família, na comunidade e na sociedade, sendo “sal e luz”. Eis o nosso grande objetivo, e naturalmente o grande desafio na conjuntura atual. Este é o itinerário que Jesus, no Sermão da Montanha, propõe aos seus discípulos e hoje a nós cristãos católicos da Diocese de Palmas – Fco. Beltrão chamados à santidade vivendo o amor, fonte da felicidade e da verdadeira alegria, neste domingo, 04 de novembro, celebração de todos os santos e santas transferida do dia 01 à liturgia dominical.

 

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