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“Os jovens devem ser levados a sério” (Francisco)

por Luiz Carlos em 23 de outubro de 2018 8:53
por Luiz Carlos em 23 de outubro de 2018 8:53

Jovem, falo contigo, levanta-te” (Lc 7,14)

Jesus ressuscita o filho da viúva de Naim. Era seu filho único. Ao vê-la Jesus sentiu compaixão. Comoveu-se da tristeza da mãe que chora o filho morto. “Não chores” consola o Mestre, rosto da misericórdia do Pai. Jesus aproxima-se do jovem morto e toca-o. Ele levantou-se e começou a falar. Entrega-o à mãe que fica estupenda com o que presenciou diante de seus olhos. Jesus devolve a vida a seu filho morto. Ao restituir o filho à mãe, Jesus recuperava-lhe a esperança e o sentido de viver. O toque de sua mão é um toque de vida. “Levanta-te”. Fique em pé. Ressuscita-o para a vida. “Está é tua posição, jovem, filho único da viúva de Naim!”. Lucas depois concluiu o gesto profético de Jesus com a seguinte sentença recolhida da admiração dos que presenciaram a atitude de benevolência e compaixão do enviado do Pai: “Um grande profeta surgiu entre nós; Deus se preocupou com seu povo” (Lc 7,16).

Ao longo dos séculos da missão da Igreja, o tema da juventude esteve na pauta dos debates, conferências, congressos, concílios e sínodos da Igreja Católica. É um tema recorrente em muitos eventos eclesiais. A juventude está no coração e na linguagem da Igreja e de modo particular da Diocese de Palmas – Francisco Beltrão de igual maneira. Referências papais para ilustrar o que escrevo:

Em 1979, no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, México, quando o papa de então, São João Paulo II, fez a homilia durante a Conferência de Puebla: “A juventude! Quanta esperança a Igreja nela coloca! Quantas energias circulam na juventude, da América Latina, de que a Igreja necessita. Como devemos estar próximos dela, nós pastores, para que Cristo e a Igreja, para que o amor do irmão cale profundamente em seu coração”.

A preocupação e a opção pela juventude também estiveram nas preocupações do Papa Emérito Bento XVI, quando falou aos jovens no Encontro da Juventude em 2007: “Vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade. Sois seu rosto jovem. A Igreja precisa de vós, como jovens, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem a Igreja se apresentaria desfigurada”.

Está acontecendo nestes dias em Roma, o XV Sínodo Ordinário dos Bispos, convocado pelo Papa Francisco, com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Na ocasião da apresentação do Documento preparatório do Sínodo, enviado às Dioceses de todo o mundo, o Papa Francisco se expressou deste modo aos jovens: “Também a Igreja deseja colocar-se na escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé; até mesmo das vossas dúvidas e das vossas críticas. […] Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores”.

Com certeza, o Papa Francisco quer dizer aos jovens o que Jesus disse ao jovem de Naim ao tocá-lo: “Levanta-te”. Levanta-te, juventude de todo o mundo, do Sudoeste do Paraná. Ide com coragem. Ide com fé e esperança. Ide para as periferias de vossas cidades e vilas, ide aos bairros, às escolas e universidades. Ide ao encontro dos jovens que perderam o sentido e a vontade de viver. Ide ao encontro dos jovens que deixaram suas comunidades de fé e as próprias famílias. Ide ao encontro dos jovens pobres e desempregados. Ide ao encontro dos jovens encarcerados e drogados. Ide ao encontro dos jovens que buscam um mundo melhor, um país de políticos honestos e justos. Ide ao encontro dos jovens que buscam uma Igreja discípula, missionaria e samaritana.

Finalmente pede o bispo de Roma: “Não tenham medo de arriscar-se e comprometer-se”. Depois diz o que espera deste Sínodo tão importante à vida da Igreja neste outubro de 2018: “Por meio do percurso deste Sínodo, a Igreja quer reiterar o próprio desejo de encontrar, acompanhar e cuidar de cada jovem, se exceção”, porque “os jovens devem ser levados a sério”.

Dom Edgar Ertl

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