Leitura Orante!

por Luiz Carlos em 14 de setembro de 2018 9:03
por Luiz Carlos em 14 de setembro de 2018 9:03

Dom Edgar Ertl

Estamos no mês de setembro dedicado à Palavra de Deus registrada na Bíblia. Neste artigo quero destacar o “Método da Leitura Orante, conhecido como “Lectio Divina”. Ele foi descoberto e divulgado pelos monges da Idade Média e atualmente é recomendado por todos os Papas, estudiosos da Bíblia e Agentes de Pastoral. Consiste em alguns passos metodológicos e atitudes pessoais que, sinteticamente, apresento.

Tome em suas mãos, com amor e respeito, a sua Bíblia. Tenha um ambiente agradável, se possível, com uma vela acesa e uma imagem bonita de Jesus Cristo e/ou da Sagrada Família de Nazaré. Invoque a assistência e a luz do Espírito Santo; como outrora Ele inspirou a redação dos textos bíblicos, assim hoje inspira na leitura e na compreensão dos mesmos.

Primeiro passo: Pôr-se na presença de Deus. Ler a passagem bíblica, por exemplo, o Evangelho do dia, ou algum dos livros bíblicos, com a atenção da mente e do coração. Pergunte-se: O que está escrito na passagem lida? Se o texto é lido e rezado a dois ou em grupo, comentar juntos o conteúdo do texto. Uma indicação de auxílio à sua leitura bíblica. Adquira um Comentário Bíblico, a fim de aprofundar a compreensão das Escrituras, especialmente do Novo Testamento.

Segundo passo: Pedir as Luzes do Espírito Santo. Reze várias vezes: “Vinde Espírito Santo…”. E com razão, pois somente com a ajuda do Espírito do Ressuscitado se poderá fazer uma meditação frutuosa. Pergunte-se: Que mensagem humana, espiritual e apostólica me oferece e inspira a passagem bíblica lida? Nesta partilha da Palavra brotam bons e edificantes conteúdos à sua vida de fé e sobretudo para o exercício pastoral e vivências cristãs.

Terceiro passo: Leia lenta e atentamente outra vez o texto escolhido. Quais são os sentimentos que nascem do texto? Se sua mente se deleita numa só palavra ou frase, permaneça nela, mesmo que passe nela todo o tempo da meditação. Rumine bem a palavra ou frase. Cuidado com a distração. Ela chega neste momento.

Quarto passo: Escolha uma palavra concreta, que sirva de luz para você tentar lembrá-la ao longo do dia e repeti-la muitas vezes ainda. Faça um propósito concreto esforçando-se para praticar daí para frente. Para concluir a meditação, faça uma breve oração de agradecimento pelas lições e frutos que você recebeu do Senhor Jesus, à Nossa Senhora de sua devoção pessoal. Escolha um salmo de louvor.

O Código de Direito Canônico (CIC) afirma sobre a Escritura:

“A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras como venera também o Corpo do Senhor. Ela não cessa de apresentar aos fiéis o Pão da vida tomado da Mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo. Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente o seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente a palavra humana, mas o que ela é realmente: Palavra de Deus. Com efeito, nos Livros Sagrados o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala” (CIC n. 103-104).

“A fé cristã não é uma religião do Livro. O cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não de verbo escrito e mudo, mas do Verbo encarnado e vivo. Para que as Escrituras não permaneçam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra de Deus vivo, pelo Espírito Santo nos abra o espírito à compreensão das Escrituras” (CIC n. 108).

“Na Sagrada Escritura, Deus fala ao homem à maneira dos homens. Para bem interpretar a Escritura é preciso, portanto, estar atento àquilo que os autores humanos quiseram realmente afirmar e àquilo que Deus quis manifestar-nos pelas palavras deles. Mas, já que a Escritura é inspirada, há um princípio da interpretação correta, não menos importante, e sem o qual a Escritura permaneceria letra morta: ‘A Sagrada Escritura deve também ser lida e interpretada naquele mesmo Espírito em que foi escrita’. O Concílio Vaticano II indica três critérios para uma interpretação da Escritura conforme o ao Espírito que a inspirou: 1. Prestar muita atenção ao conteúdo e à unidade da Escritura inteira; 2. Ler a Escritura dentro da Tradição viva da Igreja inteira; 3. Estar atento à analogia da fé’’ (CIC n. 109 a 113).

 

 

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