João Batista, precursor do Senhor

por Luiz Carlos em 7 de dezembro de 2018 10:42
por Luiz Carlos em 7 de dezembro de 2018 10:42

Dom Edgar Ertl

Estamos vivendo este tempo especial da espera do Senhor. É o Advento. Aguardar a vinda de Cristo com esperança é exatamente a essência do tempo de Advento. Tempo de esperança para celebrarmos o nascimento de Jesus, o seu Natal, em Belém. Duas atitudes fundamentais para este tempo: Escuta atenta da Palavra e abertura à conversão que Deus quer realizar em nós. Nesta segunda semana de caminhada rumo ao Natal seremos orientados pelo João Batista, o precursor do Senhor.

O aparecimento do Batista é o de um profeta. João Batista percorria toda a região do Jordão, preparando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Servia-se da profecia de Isaias: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitar suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus”. Este era o conteúdo da profecia do filho de Isabel e Zacarias. É o precursor, o que abre caminhos, mostra, dá direção. Não para si mesmo. Abrindo caminhos para a chegada do Messias, o Cordeiro, enviado como Salvador e Redentor, Jesus Cristo.

No canto de ação de graças de Zacarias, pai de João Batista, conhecido na tradição bíblica e litúrgica como o “Benedictus”, podemos ouvir um cântico sobre o menino, seu filho, tão logo nascido: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à frente do Senhor, preparando os seus caminhos, dando a conhecer a seu povo a salvação, com o perdão dos pecados, graças ao coração misericordioso de nosso Deus, que envia o sol nascente para nos visitar…” (Lc 7,76-78). O sol nascente é Jesus. E quando crescer esse sol nascente, a luz da lua, ou da estrela da manhã, deverá diminuir, como dirá o próprio João (cf. Jo 3,30). É nesses versos que aparece a bela vocação da missão de João.

Ora, não só João preparou a chegada de Jesus; ele é a plenitude de todos os profetas, sendo o último e o maior deles, o decisivo, aquele que encerra o anúncio profético do antigo Israel. “Até João, a Lei e os Profetas! A partir de então, o Reino de Deus está sendo anunciando, e todos usam de força para entrar nele” (Lc 18,16). Ele é descrito como um novo Elias, pois Elias era esperado para preparar, com sua pregação de conversão e reconciliação, a visita final de Deus a seu povo (cf. Eclo 48,10).

Para o teólogo italiano Rafael Luciani, o Evangelista Mateus “descreve João com duas expressões significativas: primeiro o apresenta como a ‘voz que clama no deserto’. Trata-se de um clamor dramático intermediador da angústia e do desespero frente à realidade fraturada que vivia o povo de Israel; segundo, como é uma voz intermediadora, que serve de testemunho e que não tem autoridade própria, ele encarna uma mediação que tem como finalidade ‘preparar o caminho do Messias (Mt 11,7-9)”. Ele foi o profeta determinado por Deus para este anúncio. Estejam preparados. O Salvador está vindo. O Senhor vai chegar, não tardará.

Estamos inclinados a pensar que a missão do Batista terminou no ano 30, quando Jesus se apresentou. Mas em todos os tempos a missão do Batista continua necessária, pois a luz do sol ainda não surgiu em todos os lugares, e pode acontecer também que em algum lugar já tenha escurecido. A Diocese de Palmas/Beltrão, como Igreja de Jesus, encontra a razão do seu ser e da sua missão na presença permanente, embora invisível, de Jesus; uma presença que atua através do poder do Espírito Santo, com seus sete dons.

Assim, a Igreja não desempenha a função de preparar a vinda de um Jesus “ausente”, ou como ouvimos com frequência um “Jesus mágico” ou como se o “Natal fosse uma magia”, mas, ao contrário, vive e age para proclamar sua “presença gloriosa” de maneira histórica e existencial. Como João Batista, a Igreja diocesana e suas comunidades, nesta segunda semana do Advento, apontam o “Cordeiro de Deus”, indicam-nos que olhemos todos para o Messias, Jesus de Nazaré, Filho de Maria e José, seus pais, o Redentor da humanidade.

 

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