“Elias, levanta-te e come!”

por Luiz Carlos em 16 de novembro de 2018 8:32
por Luiz Carlos em 16 de novembro de 2018 8:32

Dom Edgar Ertl

No primeiro livro dos Reis, cap. 19, 4-8, lemos a história do profeta Elias, mortalmente perseguido, empreende uma espécie de peregrinação de retorno, como que voltando ao passado. No seu itinerário missionário Elias toca os limites da existência, onde esta confina com a ameaça à morte. Aquele que foge para salvar a vida, sente de repente o cansaço da existência e da luta. Elias viveu uma situação de luta contra a idolatria e a corrupção dos poderosos. Sofreu uma terrível perseguição pelo rei Acab e sua esposa Jezabel depois de enfrentar os sacerdotes e a corte real, adoradores de ídolos, e por isso fugiu para o deserto.

Estava no deserto e caminhava muito. O dia inteiro. Cansado, desanimado e desiludido, sentou-se à sombra de um junípero e pede ao Senhor a morte: “Agora basta, Senhor!”. Tira a minha vida, suplica o profeta. Não sou melhor do que meus próprios pais. Deitou-se ao chão e adormeceu à sombra do arbusto. Adormecido apareceu-lhe o anjo dando-lhe pão e água, tocando-o e disse: “Levanta-te e come!”. Abriu os olhos e viu o pão junto à sua cabeceira. Comeu-o e bebeu. Sem coragem e cansado, tornou a dormir.

Noutra ocasião aparece-lhe o anjo. Tocou-o e disse pela segunda vez: “Levante-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. Elias obedeceu. Comeu o pão, bebeu e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus, com a esperança de ver Deus face a face e ele certamente receberia a recompensa por seu esforço, lealdade e fidelidade. Como o alimento do céu, Elias recuperou sua disposição de ânimo – recebe de Deus a força pelas palavras do Mensageiro de Deus para caminhar, ou seja, o “pão de Deus”. Para Elias este novo alimento milagroso significa nova coragem para a vida, com a qual ele se põe a caminho para um lugar mais distante. Ele tem uma meta/propósito/disposição da caminhada, o monte de Deus, que passa a ocupar o lugar central, passando pelo deserto, somente com o alimento do céu, ele torna-se capaz de pôr-se a caminho para o encontro com Deus.

A experiência de Elias repete-se em nossa própria vida muitas vezes como indivíduos, como família e membros das comunidades e outras instituições públicas. Diante das provações e das crises existenciais e espirituais ou de queda em pecado, nossa tendência é o desânimo e, como Elias, desejar a morte, isto é, não buscar ajuda dos outros nem de Deus, porque achamos que de nada adianta rezar; não percebemos que estamos cercados de anjos oferecendo-nos alimento, para que continuemos a caminhada sem perder a esperança.

Para enfrentar nossas lutas, tantas vezes contra nosso próprio desânimo e desilusão, para enfrentar os desafios de nossa caminhada no deserto da vida precisamos do único Pão que nos fortifica, Jesus Cristo, o pão vivo descido do céu. Ele disse aos discípulos: “Eu sou o pão da vida” (Jo 6,48). Na sequência garante-lhes: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo” (Jo 6, 51). Santo Agostinho chamava o pão eucarístico de o “pão dos fortes”.

“Levanta-te e come, pois do contrário o caminho te será longo demais”. Elias, torna-nos um ícone de coragem e superação e confiança em tempos de incertezas e dúvidas. O toque do Anjo, oferecendo-lhe um alimento especial também é-nos uma referência de fundamental importância. Quem são os anjos que nos encorajam a colocar-nos de pé, oferecendo-nos um nutriente especial para o prosseguimento de nossa jornada, de nossa missão e vocação?

Por que temos hoje uma incidência enorme de tentativas ao suicídio, a pouca vontade de viver? Por que muitos se desesperam, maldizem a Deus ou são tentados a tirar a própria vida? Quem é o absoluto de nossas vidas? Queremos e temos vontade de viver? Enfim, sejamos, pois, anjos, e com o toque da vida, busquemos levar tantos irmãos e irmãs caídos à beira da estrada, ou deitados às sombras de nossas casas, sem vontade de viver e caminhar. Queremos chegar ao monte Horeb, o monte de Deus. Este deve ser o nosso objetivo primeiro. Levantamo-nos e alimentados pelo Senhor, “pão da vida”, prosseguimos a caminhada!

 

 

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