Decreto de flexibilização do porte de armas

por Luiz Carlos em 1 de Fevereiro de 2019 10:30
por Luiz Carlos em 1 de Fevereiro de 2019 10:30

Jesus diz ao apóstolo Pedro: “Devolve a tua espada à bainha” (Mt 26,52)

Pela iniciativa do Papa São Paulo VI, pedindo que o primeiro dia do ano civil fosse vivido como dia de oração pela paz. Por isso, o dia 01 de janeiro recebeu o nome de “Dia Mundial da Paz”, convidando pessoas e grupos que estão engajados na construção de uma cultura da paz e superação dos conflitos. E no dia 01 de janeiro de 2019, apenas iniciado, o Papa Francisco, para celebrar o Dia Mundial da Paz, enviou uma mensagem sob o título de “A boa política está a serviço da Paz”.

O conteúdo da Mensagem do Papa Francisco está distribuído em sete tópicos, a saber:  1. “A paz esteja nesta casa!”. 2. O desafio da boa política. 3. Caridade e virtudes humanas para uma política ao serviço dos direitos humanos e da paz. 4. Os vícios da política. 5. A boa política promove a participação dos jovens e a confiança no outro. 6. Não à guerra nem à estratégia do medo. 7. Um grande projeto de paz.

No dia 15 de janeiro de 2019, o Presidente Bolsonaro, assinou um Decreto de flexibilização do porte de armas. Segundo o próprio Bolsonaro foi um ato de cumprimento de promessa de campanha política. Seus eleitores já o aguardavam para tal decisão. Trata-se da liberação, praticamente geral, da posse e uso de armas de fogo. Uma parte da sociedade brasileira prefere armar-se! Não se trata mais só de legítima defesa: é violência amparada pela lei. Percebem, caros leitores, que são propostas totalmente antagônicas àquela do Papa Francisco e àquela do Presidente. Na sua Mensagem, o Pontífice questionou com veemência alguns temas a partir do viés da boa política que está a serviço da paz. No sexto tópico o Papa chama-o “não à guerra e nem a estratégia do medo”. Continua “hoje, mais do que nunca, as nossas sociedades necessitam de ‘artesãos da paz’ que possam ser autênticos mensageiros e testemunhas de Deus Pai, que quer o bem e a felicidade da família humana”.

O que pede Francisco? “Por esta razão, reiteramos que a escalada em termos de intimidação, bem como a proliferação descontrolada das armas são contrárias à moral e à busca duma verdadeira concórdia”. No dia 29 de abril de 2018, em mensagem do Twintter questionava-nos de forma lúcida: “Nós realmente queremos a paz? Então, vamos banir as armas para não ter que viver no medo da guerra”.

O Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior, chefe do Departamento de Ciência da Religião da PUC-SP escreveu: “Armas não servem para nada que não seja produzir morte e dor, sendo efetivos instrumentos do demônio. Como seguidores de Jesus, negamos tal senhorio das armas como idolátrico. Nosso Deus é o Deus dos vivos e da Verdade”. Logo, acrescento que o tal Decreto é contrário ao Evangelho e contra os ensinamentos de Jesus que proclama que são bem-aventurados os que constroem a paz, porque serão chamados filhos de Deus (cf. Mt 5,9). Será que a posse de armas é a primeira urgência e necessidade das famílias brasileiras. É um direito de todo cidadão brasileiro poder andar armado a partir de agora para ter paz e tranquilidade? Quem deve dar-nos a segurança necessária para termos nossas vidas protegidas e amparadas? Numa escala de valores, o que os governos deveriam primar? O que é fundamental para que as pessoas tenham segurança e paz? O tema é extremamente preocupante. Não podemos ignorar as consequências de tal decisão política do recém-empossado presidente da República.

Portanto, promovemos a política da paz em todos os ambientes, cientes que vivemos num país onde a violência é desproporcional, se comparada com muitos países em guerra. Que Deus cubra-nos de bênçãos para realizar bem nossas tarefas e missão neste mundo, promovendo a “cultura da paz”. Não esqueçamos que a paz é fruto dum grande projeto político, que se baseia na responsabilidade mútua. A paz é, todavia, um desafio que requer ser abraçado dia após dia e garante-nos Jesus: “A paz esteja nesta casa” (cf. Lc 10,5-6), nesta família, nesta Diocese de Palmas/Beltrão” e não na posse de armas como defesa da vida!

Dom Edgar Ertl

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