Carta ao nosso bispo diocesano

por Luiz Carlos em 8 de Fevereiro de 2019 10:36
por Luiz Carlos em 8 de Fevereiro de 2019 10:36

Quero partilhar com nossos leitores uma carta lida, durante minha visita pastoral, à Paróquia São Francisco de Assis, de Salgado Filho e Manfrinópolis, em dezembro de 2018. A carta foi lida numa das Comunidades visitadas, Nossa Senhora do Bom Parto, um dos Setores pastorais da paróquia. Segue o texto na íntegra.

“É com muita alegria que hoje as nossas comunidades, aqui presentes, acolhem o pastor da Igreja Diocesana o Excelentíssimo Bispo Dom Edgar Xavier Ertl. Creia senhor bispo que estamos muito felizes pela sua presença aqui. Que o senhor possa ver de perto um pouco de nossa realidade.

Estamos aqui reunidos em seis comunidades, as quais fazem parte deste Setor: Padroeira Sagrada Família, Linha Alto Alegre, Nossa Senhora das Graças, Tiradentes, Sagrado Coração de Jesus, Tamandaré, Nossa Senhora do Rocio, Sertãozinho, São Braz, Linha São Braz e esta Comunidade Nossa Senhora do Bom Parto e Guabiju. São comunidades pequenas, uma distante da outra e com poucas famílias, por conta do êxodo rural, onde muitas famílias acabaram deixando suas pequenas propriedades nas mãos dos grandes fazendeiros, e partiram em busca de uma qualidade de vida melhor na cidade.

As famílias que vivem aqui têm como principal fonte de renda a produção leiteira, a avicultura e a agricultura de subsistência. É um lugar tranquilo e bom para viver. Entretanto, ainda acontece assaltos nas propriedades, como por exemplo, o roubo de animais e outros tipos de furtos. Nas comunidades as famílias têm uma boa participação. O povo é humilde, de fé, de luta e esperança, que caminha unido e sempre ligados à Igreja e à Paróquia.

Que sua presença nos diversos setores das comunidades nos proporcione mudanças interiores, bem como a valorização das ações e o fortalecimento da fé, na compreensão do que é ser um católico engajado na comunidade. Obrigado pela sua presença e sua dedicação ao povo de Deus da nossa Diocese. Que o Espírito Santo continue iluminando-o em sua missão. Pedimos que Nossa Senhora interceda junto a Deus, Nosso Pai, interceda pelas nossas comunidades. Saiba que o senhor estará sempre em nossas orações. Nosso abraço, nosso carinho e nossa gratidão”.

Algumas questões chamaram minha atenção nesta carta. Ela é extremamente sintomática de nossas pequenas comunidades rurais. A carta retrata uma radiografia de como se encontram nossas famílias nas comunidades do interior da diocese de Palmas-Francisco Beltrão. Poucas famílias ainda vivem da pequena agricultura. O que chamamos de agricultura familiar. O crescimento de fazendas de bovinos e similares, o agronegócio em plena expansão, com a mecanização de lavouras e uso irracional de agrotóxicos, ameaçando a flora, a fauna, rios, fontes de águas sendo contaminadas e coisas do gênero. Outras constatações de nossas comunidades a partir da carta. Os jovens vãos às cidades maiores para estudos em faculdades e dificilmente retornam às suas famílias no interior. As comunidades se tornam cada vez menos numerosa, com dificuldades de rotatividade de lideranças para as atividades pastorais. A catequese e a liturgia padecem por novas lideranças e de membros.

Acredito que a proposta do Fr. Mikael Mezzomo, pároco, poderá ser uma das saídas para salvaguardar nossas poucas famílias que preferem viver em suas propriedades e comunidades rurais. A setorização da catequese e das celebrações eucarísticas favorecerá a comunhão e a permanência do povo nas pequenas comunidades. O agrupamento de famílias e comunidades próximas será uma das saídas pastorais da Paróquia São Francisco de Salgado Filho e Manfrinópolis e outras.

Dom Edgar Ertl

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