“Somos testemunhas silenciosas de desigualdades graves”, diz papa Francisco sobre o atual modelo de agronegócio

por Redação RBJ em 13 de dezembro de 2016 9:55
por Redação RBJ em 13 de dezembro de 2016 9:55

Na última semana, o papa Francisco reuniu-se com membros da Associação Internacional Católica Rural no Vaticano. O chefe da Igreja expressou sua satisfação aos participantes pela dedicação de todos aos problemas do mundo rural e, sobretudo, à realidade dos que trabalham diariamente na lavoura, “cultivando e cuidando do jardim do mundo, dando continuidade à ação criadora de Deus e protegendo a nossa Casa comum”.

Por outro lado, Francisco criticou o modelo atual do agronegócio que, segundo ele, “pode eliminar a variedade de espécies e riqueza da biodiversidade”. Ele ressalta que a Associação tem trabalhado contra esse modelo, tendo total apoio da Igreja. “Isso evita não só perdas e desperdícios na produção, mas também o uso descuidado de técnicas que, em nome de uma colheita abundante, pode eliminar a variedade de espécies e a riqueza da biodiversidade, além de não sabermos as consequências para a saúde humana. Quando vemos tantas doenças raras que ninguém sabe de onde vêm, temos que parar para pensar. Somos testemunhas silenciosas de desigualdades graves”, disse o pontífice.

Alertou ainda, que colocar o negócio sempre em primeiro lugar prejudica o trabalho no campo e “sacrifica os ritmos da vida agrícola, com seus momentos de trabalho e tempo limitado para descanso semanal e cuidado com a família”.

Em seu discurso, o Santo Padre destacou também a importância da agricultura no desenvolvimento das nações, sendo “a principal resposta possível à pobreza e escassez de alimentos”. Porém, lamentou que isso funcione “para remediar a falta de aparatos institucionais, para a aquisição desigual da terra cuja produção não está sujeita aos beneficiários legítimos, por métodos especulativos, ou injusto, e para a falta de políticas específicas nacionais e internacionais”.

Ao concluir, Francisco enfatizou que “o papel de uma Organização não Governamental, firmemente ancorada na Doutrina Social da Igreja, é o de construir pontes”. Por isso, o papa exortou os presentes a “propor um estilo de vida sóbrio e uma cultura do trabalho agrícola, que se fundam na centralidade da pessoa, na disponibilidade ao outro e na gratuidade”.

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